Filme: Tinha que ser você
Por Clenio Viegas
Deixe de lado a ideia de que é preciso ser bonito, jovem e bem-sucedido para que a felicidade possa bater à sua porta. Harvey Shine e Kate Walker não se encaixam em nenhuma dessas características de comercial de margarina e mesmo assim tiveram uma nova oportunidade em suas caóticas e frustrantes vidas românticas. Eles são os protagonistas de Tinha que ser você (Last chance Harvey).
Trata-se de uma saborosa comédia romântica escrita e dirigida pelo inglês Joel Hopkins, que é um oásis de inteligência e leveza em meio às explosões de exterminadores e carros que se transformam em robôs que idiotizam mês a mês o público fã de cinema e principalmente de gente.
E é de gente que fala o filme, estrelado pelos veteranos Dustin Hoffman e Emma Thompson (espetacular em cada momento, em cada cena!). Gente que nunca foi o mais popular na escola, gente que dedicou tempo demais ao trabalho em detrimento da família, gente que se sente solitária apesar dos amigos e das relações sociais, gente que se arrepende de atos há muito enterrados e principalmente de gente que anseia por uma nova chance de recomeçar mesmo quando o mundo parece gritar que suas possibilidades já se esgotaram.
O roteiro de Hopkins não é brilhante ou inovador, e provavelmente nem é sua intenção que seja. Em vários momentos só o que acontece em cena são diálogos leves e sutilmente engraçados, recitados em meio a cenários belíssimos de Londres - lembram de Antes do Amanhecer e Antes do pôr-do-sol? - por atores de imenso talento. E talvez Tinha que ser você seja justamente isso; uma vitrine para o brilho de seus protagonistas, que infelizmente tem trabalhado tão pouco ultimamente.
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