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Porco, eu?

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Por Guilherme Said

Desabafo de Eduardo Paes repercute na mídia

Recentemente foi noticiada amplamente pela imprensa a indignação externalizada pelo então prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, em que ele responsabiliza o carioca e reclama da constante sujeira vista nas praias da cidade, afirmando de forma áspera que a solução para tal problema seria a necessidade das pessoas “serem menos porcas”.

Sobre o assunto, ele disse:

“As pessoas têm que ser menos porcas e parar de jogar coisas na areia.”

Não se poderia esperar outra coisa: a repercussão na sociedade foi imensa. Algumas pessoas não gostaram das duras palavras, considerando que o carioca estava sendo comparado aquele animal que vive na imundície, um ser íntimo do lixo, que o degusta e o espalha sem preocupação com o ambiente no qual está inserido. 

Foi interessante observar, porém, que na opinião da maioria dos cidadãos, o prefeito estava com a completa razão, e que um olhar mais frio sobre a realidade, descortina a deplorável postura da nossa população (brasileira, não apenas carioca,) em relação à natureza, à mínima higiene e à correta utilização dos espaços de convivência de uma cidade.

O segundo ponto do breve discurso do Sr. Eduardo Paes foi mais uma espada afiada lançada nessa ferida já aberta, em que ele complementa:

“Não é possível que as pessoas digam que amam o Rio, que são cariocas da gema, e tratem a cidade com falta de respeito, de educação e de carinho.”

Hipocrisia é a palavra mais adequada para essa postura de nós brasileiros. Somos hipócritas sim, não nos enganemos. O nosso amor pelo Rio, por São Paulo, por Recife, por Salvador, por Belém, enfim, por todas as nossas cidades, é falso e egoísta. Não pensamos em termos de comunidade, no bem-estar coletivo, e sim apenas em nossa plena satisfação.

Assim, satisfeitos, lançamos nas calçadas, nas ruas, nas praias, os excrementos do nosso gozo. E a vida continua...

O problema é secular, vem dos maus exemplos dos nossos líderes, da nossa educação permissiva, da nossa falta de visão e ausência de consciência ecológica. 

E como podemos mudar essa situação tão calamitosa, enfatizada e reconhecida por aqui e em vários outros povos que visitam as nossas terras? Será que os nossos governos precisarão criar leis para multar aqueles que jogam lixo nas ruas? Essa seria uma parte da solução, implementada com sucesso em várias cidades da Europa e EUA. Infelizmente, só aprendemos dessa forma.  

Mas vamos ao agora. O que você pode fazer já, neste instante, para colaborar com a sua cidade, o seu bairro, a sua rua, buscando deixá-los mais limpos?

O debate está lançado. Publique o seu comentário, participe!


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Guilherme Said é Coordenador do Portal e Livraria SóCultura.com.

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Comentarios (3)

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As pessoas que sentiram discriminadas são as mesmas que jogam o lixo nas ruas. Essa questão se trata da falta de educação. E isso, independente do nível social a que ela pertença. Todo mundo já viu os fumantes jogarem pimba de cigarro, todo mundo ja viu passageiros de ônibus ou metrôs jogarem seus lixos pela janela, ou então, em passeio com amigos e familiares, degustarem de um delicioso prasto típico e por preguiça, deixar o que sobrou por ali, enquanto a lixeira não estava a mais de 2m de distância. Hipocrisia purinha. Concordo que seja autorgada uma lei que possa punir tais pessoas.
Sthefanny , janeiro 23, 2010
...
É! Hipocrisia e indolência! Como eu dizia naquela noite!
Jean de Lemos Cid , janeiro 28, 2010
...
O PREFEITO ESTA CERTO QUEM SUJA AS PRAIAS E TODO O RIO DE JANEIRO SAO SEUS MORADORES SEM EDUCAÇAO , QUE FAZEM O MESMO NA CASA QUE VIVEM.
vania , novembro 23, 2010

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Última atualização em Seg, 28 de Dezembro de 2009 21:24  

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