Por Roberto C.P. Junior
Do livro "Vivemos os últimos anos do Juízo Final" de Roberto C. P. Júnior
"Cristo morreu para nos salvar!" Esta é a concepção básica das muitas facções cristãs. Sobre essa coluna apóiam sua doutrina e a partir daí procuram edificar, ampliando o círculo dos adeptos.
Segundo essa crença, o Criador, Senhor de Todos os Mundos, enviou Seu Filho a esta Terra com a deliberada intenção de que fosse crucificado, para expiar assim o pecado de toda a humanidade.
Quão valiosos, pois, não devem ser os seres humanos para Ele! Depois de terem rejeitado com um sorriso arrogante todos os auxílios, depois de terem escarnecido dos emissários de Deus, depois de terem transformado a Terra num charco venenoso com sua vontade má, suas palavras maldosas e seus pensamentos pestíferos, depois de tudo isso, nada mais natural, segundo sua opinião, que Ele oferecesse Seu Filho em holocausto, para que ela, a humanidade tão importante, pudesse ser içada confortavelmente, sem esforço, da sua cova espiritual já tão profunda, escavada por ela mesma diligentemente durante milênios.
A arrogância e a presunção humanas parecem não ter limites. Certa vez escutei um canto religioso de uma facção cristã que fazia referência a um plano de Deus, no qual Ele teria feito brotar uma árvore específica, preparada para ser transformada no futuro numa cruz, onde o Seu Filho seria imolado... Penso que até os mais fervorosos adeptos dessa concepção — a da morte inevitável de Jesus na cruz — devam sentir um certo mal-estar ao ouvir essa canção.
Mas justamente pelo fato de o ser humano ser tão arrogante, presunçoso e vaidoso, ele é também preguiçoso. É preguiçoso no espírito. Indolente. E, por isso, aceitou tão apaticamente essa concepção absurda e pueril, de que Jesus veio à Terra com a intenção prévia de se deixar matar, e que esse ato serviu para livrar a humanidade de suas culpas.
O ser humano usa essa concepção como um manto aconchegante, que o exime de sua própria responsabilidade e o dispensa de toda a movimentação espiritual. O ser do espírito que não se movimenta espiritualmente!
No que consistiu, pois, a missão do Salvador?
A missão de Jesus consistiu em oferecer a possibilidade de salvação a todos quantos aceitassem e seguissem a sua Palavra! No cumprimento da Palavra, isto é, na obediência irrestrita aos ensinamentos transmitidos, o ser humano poderia encontrar a sua salvação. Mas somente assim! Nunca pelo assassinato do Portador dessa Palavra!
Os cerca de 80 mil livros existentes sobre Jesus não podem ajudar ninguém se não trazem esta exortação…
A morte de Jesus na cruz foi um crime hediondo. E tão pavoroso, por tratar-se do Filho de Deus, que só mesmo uma humanidade apodrecida na alma seria capaz de consumá-lo. Assim, a humanidade, que já vinha pecando abertamente contra o seu Criador há milênios, com o assassínio de Jesus sobrecarregou-se com uma nova culpa, cuja amplitude ela por certo não pode conceber.
Os seres humanos assassinaram o Filho de Deus, que veio trazer-lhes a possibilidade de salvação através da sua Palavra! Essa é a verdade. E o peso dessa culpa gigantesca recai integralmente agora, na época do Juízo, sobre a humanidade, que com o ato da crucificação colocara-se resolutamente ao lado de Lúcifer, em sua luta final contra a Luz.
A humanidade escolheu Lúcifer como seu senhor, rejeitando o seu próprio Criador. Essa decisão, fruto do livre-arbítrio, selou o destino dos seres humanos.
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Roberto C. P. Junior é espiritualista, mestre em ciências e autor dos livros: "Vivemos os Últimos Anos do Juízo Final", "Visão Restaurada das Escrituras", "Jesus Ensina as Leis da Criação" e "O Filho do Homem na Terra", os dois últimos disponíveis em edição impressa. Roberto é membro da Ordem do Graal na Terra e autor de vários artigos de cunho filosófico disponíveis nos sites Library e SóCultura.com.
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Comentarios (2)
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Eu digo que são nossos próprios pensamentos que alimentam nossos argumentos, é como se fosse uma retro-alimentação.
Nossa capacidade crítica e intelectual cria argumentos que sustentam nossos pontos de vistas, que se tornam teses, teorias, aquilo que cremos como verdade.
Por que digo isso? Por que você desenvolveu seu próprio conceito sobre a Verdadeira Missão de Jesus, então você cercou-se das evidências que procurou para sustentar suas idéias.
Na minha concepção, você não está errado, mas também não totalmente certo.
Baseado em minhas próprias convicções (que também balizam minha idéia de estar trilando no sentido correto), você começou bem sua explanação ao dizer que Cristo não morreu para nos salvar, aliás esse é o grande mote e apelo das religiões ditas cristãs (facções cristã, como você diz)e nisso também creio, Jesus foi assassinado, esse é o fato, mas longe desse fato carregar consigo a missão de aliviar os pecados da humanidade.
Sobre a morte de Jesus em si, creio haver ainda algumas outras implicações, alheias a essa pretensa missão, tais como:
a) Jesus, apesar de estar na Terra sob condição humana, por crermos ser o Filho de Deus, tinha também sua condição divina, o que facultaria-lhe suportar muito mais a dor do que qualquer outro humano. Não estou querendo dizer que Jesus não sofreu as dores do martírio, mas aos olhos humanos seu sofrimento pode ter sido bem maior do que em realidade Ele próprio tenha experimentado;
b) a crucificação (ou assassinato, na forma que fosse) não pode ser encarado como uma circunstância, um evento imprevisto, pois, se Deus, Senhor dos Céus e da Terra, que enviou seu Filho para transmitir a Palavra, certamente não seria tão "passivo" permitindo a morte de Jesus, caso ela não tivesse algum propósito;
c) E qual poderia ser esse propósito divino? Talvez a própria manifestação e demonstração de que, também como filhos de Deus, nós próprios tenhamos a capacidade de suportar o sofrimento e a injustiça (e não venerá-los, como muitas vezes tenta se provar);
d) E por fim, deve a morte do Filho de Deus ter servido também para dar ao homem a prova do que a igreja católica chamou de ressurreição ou, em outros termos, a própria imortalidade da alma.
Posto isso, o ponto onde encontro divergência com suas idéias é o que você menciona que Jesus veio trazer-nos a Salvação.
Ora, Roberto, esse é outro mote das religiões cristãs. Existem inúmeras citações no Novo Testamento que alimentam esse apelo. Jesus veio para nos salvar. Mas salvar do quê? Do que precisamos ser salvos? Que mundo é esse em que Deus envia seus filhos e lá eles devem buscar a salvação? Será que precisamos ser salvos do inferno? Precisamos ser salvos do mundo dos pecados?
Pois bem, é nisso que não acredito. Não acredito em inferno nem em pecados. O que as facções cristãs ousam chamar de inferno, chamo de mundos menos evoluídos. o que as facções cristãs chamam de pecados, chamo de condutas erradas, anti éticas. Não é do inferno e dos pecados que precisamos ser salvos. Talvez o que Jesus tenha tentado nos transmitir tenha sido simplesmente a Palavra do amor, da fraternidade, do perdão, do carinho, da conduta ética... e tudo isso sim pode nos levar à salvação de nossa ignorância, arrogância, vaidade, ambição e ganância, mazelas inerentes à nossa triste condição humana, tal como está exposto no Evangelho de Tomé, que a ditadura religiosa achou por bem banir do conhecimento público.
Era isso!

















