|
Não deixa de ser uma
bela demonstração de cidadania
planetária o encontro do secretário de Estado
norte-americano Colin Powell, com jovens de todo o mundo realizado pela
MTV. Respondendo com desenvoltura e simplicidade as mais variadas
questões sobre terrorismo, AIDS, pobreza e desemprego,
demonstrando um grande interesse pelo futuro da humanidade.
No
rumoroso debate o Secretário fez importantes
observações sobre o trabalho. Conforme comentou o
que traz dignidade ao ser humano é a possibilidade de
trabalhar para conseguir o sustento para si e para a
família, sem precisar de ajudas na forma de
vexatórios donativos.
E
de fato, ter essa possibilidade de alcançar a dignidade
humana, concede a esperança de poder se tornar melhor,
conduzindo seus descendentes para a real evolução
como seres humanos. Mas, exatamente o oposto disso tem conduzido muitos
à marginalização.
Trabalhar
é muito importante, contudo o que se observa na maioria dos
países é um aumento da
população e redução no
número de empregos. Ademais, o trabalho não deve
ser considerado como um castigo. O trabalho é para ser
desenvolvido alegremente. As condições que
rodeiam o trabalho devem ser tais que os seres humanos não o
sintam como um pesado fardo, devendo ser a atividade criativa do ser
humano em complemento da grande obra da Criação
que nos concedeu este maravilhoso planeta como morada, lar. E, nessas
condições o ser humano tem aumentada a sua
eficiência e capacidade de realização.
O
Brasil esbarra na limitação do
comércio exterior deficitário nos
últimos anos. O crescimento fica engessado para que as
importações não aumentem aumentando o
déficit. Os juros elevados freiam a economia, o que
também é um meio de conter as
importações, contudo, o país
não cresce e não são gerados novos
empregos. As elites deram pouca atenção a
importância da dinamização do mercado
interno, aumentando a circulação e consumo de
bens aqui produzidos como forma de gerar empregos e renda.
Na
vida do cidadão norte-americano o dinheiro se reveste de
importante significado, mas cabe destacar a permanente
preocupação das elites governamentais e
empresariais em dar trabalho para a população.
Por outro lado o cidadão americano geralmente é
um trabalhador dedicado, porque ele acredita que o trabalho
é o tributo em retribuição pela
segurança que o Estado oferece aos seus cidadãos,
e se esforça para fazer o melhor.
Mas
a época é crítica, porque com a
desaceleração da economia, diminuem as vagas e
declinam os salários que são a
motivação básica para a
dignificação do ser humano. Nos países
atrasados a situação é ainda mais
crítica porque os níveis salariais são
incomparavelmente menores. Então, a pessoa que gasta muitas
horas no trajeto de casa para o trabalho e vice-versa, e trabalha
muitas horas, ao chegar o dia do pagamento tem sempre uma
frustração, porque o seu ganho é
insuficiente para as necessidades essenciais, que dirá para
outras que gostaria de satisfazer, face a influencia da poderosa
máquina de propaganda que atravessa o mundo anunciando de
tudo. Este é um problema que nunca foi equacionado. Ao
contrário, as empresas transnacionais, buscando reduzir os
custos, estão sempre transferindo as suas
fábricas para as regiões de menores
salários, e menor rigor na preservação
ambiental..
Assim,
frustra-se o que deveria ser um consenso entre as
nações: criar as condições
para a prosperidade humana acompanhada de verdadeira
evolução. Alcançar a prosperidade e a
evolução do ser humano, são objetivos
inseparáveis. Mas exatamente aí tem surgido as
maiores aberrações. Os muito ricos se tornam
superficiais e insatisfeitos e os muito pobres, embrutecem e se tornam
descontentes. Em ambos os casos há um afastamento das
atividades mais nobres.
A
consciência do sustento pelo próprio ganho
é um dos mais importantes fatores da estabilidade social.
"Só que aí deve permanecer, como algo evidente,
uma disposição certa entre trabalho e repouso,
bem como deve ser dada a recompensa correta a cada trabalho prestado,
devendo prevalecer aí um equilíbrio severamente
justo!" (Mensagem do Graal, de Abdruschin,
Vol.3 – pág.67).
|