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O Novo Império

 Por Benedicto Ismael Camargo Dutra
 

Nos anos 90, a humanidade distanciada do coração, fazendo uso prioritariamente do raciocínio frio e calculista, concretizou os seus alvos puramente materialista através do coroamento das atividades financeiras. Os países ricos consolidaram a sua riqueza para uma contínua expansão. Os países atrasados perderam o rumo e sua trajetória aponta para o contínuo empobrecimento. Os ricos permanecem indiferentes sem examinar a miséria ao seu redor, enquanto que a revolta dos pobres fermenta no tacho das insatisfações, colocando mais ódio na matéria fina. De repente o mundo foi sacudido com a tragédia de 11 de setembro e a curva do materialismo tende a uma reversão. A partir daí teve inicio um novo capítulo da história mundial cujo desfecho é de dificílima previsão, mas ao final todos os erros deverão estar extirpados.

Durante muitos séculos os países avançados se comportaram de forma insensível e indiferentes ao que se passava nos países atrasados. Desde que possibilitassem a geração de lucros nunca se preocuparam com o modo como eram governados os países conquistados ou sob sua tutela, fosse pela irresponsabilidade ou ma fé. As populações que arcassem com o ônus do falhar de seus líderes. Mas a situação deverá ser alterada. Os países ricos estão percebendo que o ódio lhes é altamente nocivo. “A liderança norte-americana será mais duradoura se conseguirmos convencer nossos parceiros de que somos sensíveis ao que os afeta. Setembro de 2001 foi um começo rumo a essa sensibilidade, mas só um começo.” (Joseph S. Nye Jr., em “O paradoxo do poder americano”, pg.15).

Após o desmantelamento da União Soviética em 1989, Os Estados Unidos se tornaram a nação hegemônica com poder bélico jamais alcançado por qualquer outra potência do passado ou do presente. O seu poder é perceptível em todos os países e em todos os setores da atividade humana. A sua influência é decisiva na atuação dos organismos reguladores das atividades econômicas. Isso gera um certo inconformismo posto que a prioridade, a exemplo do comportamento dos grandes impérios no passado, tem sido os interesses próprios. Gregos e Romanos. Espanha, Portugal, França, Holanda, Inglaterra, sempre tiveram a sua conduta pautada pelo desejo de conquista e obtenção de riquezas. Todos alcançaram o apogeu, porém, sem uma sólida sustentação amparada no saber das leis da Criação, não conseguiram deter o subseqüente declínio.

Quando se iniciou o movimento de ocupação dos Estados Unidos, por europeus que partiam em busca de um novo mundo onde poderiam reconstruir a vida em paz e liberdade, adquiriram uma responsabilidade perante o mundo. Tendo lhes sido permitido construir um novo império, a sua missão seria a de orientar outros povos para alcançarem a paz e o progresso. Mas nunca houve muito interesse em perscrutar o sentido e o significado da vida. Outros interesses se sobrepuseram produzindo muito ódio. O principal objetivo tem sido produzir, estimular o consumo, retirar os lucros e controlar a riqueza e o poder mundial.

No livro “Povos e Impérios”, o historiador Anthony Pagden, escreveu que na Europa, ao tempo de Napoleão, “entendia-se que o “Império” não era o governo de um só indivíduo, mas uma federação na qual se ingressava, voluntariamente. “Imperador” significa, conforme expôs um entusiasta nos anos 1790, “aquele que governa um povo livre”. O título “rei”, ao contrário – os romanos bem o souberam -, significava apenas “tirano”. (pg.179). Contudo, somente poderia ser designado como império, aquele que ao invés de permanecer colhendo vantagens, insensível ao sofrimento e miséria, estimulasse a evolução dos povos atrasados e dependentes. Essa meta nunca chegou a se efetivar, pois foram “construídos pela conquista e os conquistadores sempre procuraram manter subservientes os conquistados”. (Povos e Impérios, pg. 24).

Atualmente a questão crítica do “império” financeiro é que os recursos não são redistribuídos para a periferia dada a força de sucção do centro ávido em acumular a liquidez sob a forma de aplicações de prazo curto. Ademais os países pobres sempre esbarram em dificuldades para que tenham uma gama de exportações suficientes para suprir as suas necessidades e arcar com os encargos financeiros. Tudo isso contribui para que os juros permaneçam sempre elevados, inviabilizando permanentemente o crescimento econômico.

O futuro contém ameaças atemorizadoras. A população tende a esmorecer. As bandeiras são hasteadas. O país líder deverá assumir novas posturas que alcancem além da evolução material, a evolução moral e espiritual, e assim adquirir condições de estabelecer normas reguladoras eticamente avançadas que propiciem a evolução dos povos indisciplinados e moralmente relaxados.

A situação de temor já se delineia. De um lado teme-se que a provável obtenção da moderna tecnologia de destruição através de armamento nuclear exija ação imediata. Do outro presume-se que seja indispensável a rápida obtenção de armas nucleares como meio para conter prováveis ataques. Tudo alimentando o medo que estimula o ódio o qual provoca aumento do medo.

Do passado, tomemos o exemplo do Império Espanhol que se tornou pujante, mas a sua ferocidade visava a conquista de riquezas pisoteando descaradamente sobre os povos conquistados para arrancar-lhes o máximo possível. Destruindo culturas, impondo a religião com o uso da força, tudo para reforçar e justificar o seu domínio. O “Ama ao próximo como a ti mesmo” foi interpretado de conformidade com os interesses ocasionais. No relato de Anthony Pagden, as interpretações sofisticadas das palavras do fundador nas quais se baseiam o cristianismo, no decorrer do processo tornaram-se obscuras, foram ocultadas e às vezes, propositadamente distorcidas. (Pg. 101).

Mas o saber de Deus e de Suas leis não deve ser imposto, deve ser aceito pelos seres humanos espontaneamente após exame e analises irrestritas, formando a base para a verdadeira civilização do Planeta. A fé verdadeira não pode estar separada das leis naturais da Criação.

Mas está surgindo o tempo no qual quem não quiser construir segundo a Vontade de Deus, não mais terá espaço no Planeta. Os povos evoluídos deverão servir como modelo para a evolução espiritual e geral, mantendo cada povo a sua cultura ligada ao solo onde nasceu. Enfim o Planeta deverá alcançar o brilho que lhe era destinado desde o inicio.

Assim como a América foi concebida como o lar do povo norte-americano, agora na aurora de uma nova era o Planeta deverá ser concebido como o lar dos seres humanos de boa vontade para que reinem a paz e alegria. O novo império deverá estar apto a orientar os povos no sentido do beneficiamento geral estirpando-se o errado. Conforme escreveu Abdruschin, “o erro se encontra exclusivamente no próprio ser humano e no fato de ter transmitido o domínio ao raciocínio, escravizando-se assim pouco a pouco também a si próprio, portanto atando-se à Terra. Com isso perdeu-se para ele completamente a verdadeira finalidade da existência terrena, a possibilidade de reconhecimento espiritual e de amadurecimento espiritual”. (Mensagem do Graal, vol. 3, pg. 330).

Durante séculos e séculos tem prevalecido a idéia de expansão territorial e controle das riquezas através do poder militar e econômico, das imposições religiosas ou ideológicas, mas isso nunca chegou a promover a paz real e a harmonia entre os povos. A paz duradoura será alcançada somente quando surgir o reconhecimento das leis da Criação, o que não tem nada a ver com religiões ou erudição humana, pois as leis da Criação existem desde sempre, são eternas e perfeitas, e os seres humanos somente conseguirão conviver pacificamente sem conflitos quando passarem a se orientar por elas, pois expressam a Vontade de Deus na Criação!

 

Benedicto Ismael Camargo Dutra é autor dos livros: "A trajetória espiritual da humanidade"(http://www.library.com.br/Historia/index.htm) e "Encontro com o Homem Sábio", pela Editora Marco Zero.

 

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