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Eis aí o
ponto critico da felicidade humana. A insatisfação e o
descontentamento provocam inúmeros males físicos e psíquicos
impedindo o livre desabrochar da felicidade e, no entanto, a sua
origem raramente tem sido examinada com seriedade pelos seres
humanos. Assim, século após século os seres humanos estão sempre
olhando para o que o outro tem, deixando que o coração se encha de
revolta contra aqueles que ao seu ver estão passando muito melhor.
No filme
“Do que as mulheres gostam”, (What women want), Mel Gibson,
interpretando Nicky, conseguia ouvir os pensamentos das mulheres e
através disso roubava as idéias de Darcy, sua chefe, interpretada
por Helen Hunt. Assim ela perdeu o emprego, mas enfim ele confessou:
“eu estava sabotando você, roubando as suas idéias, você pegou
o cargo que era para ser meu, eu faria tudo para recupera-lo.” No
filme o fato é amaciado pelo romance entre os dois, mas na vida
real a luta é brava. Os seres humanos se deixam empurrar pela
insatisfação interior aos limites da cobiça e inveja que nutrem
em seu coração, fazendo da vida um inferno.
Esses
homens poderosos que usam de todos os meios para atingir aos seus
objetivos não percebem como se tornam mal vistos pelas populações
mais simples, pois elas pressentem, intuitivamente, a falsidade e a
hipocrisia que se escondem atrás do comportamento artificial e
arrogante.
Ao explicar
o Décimo Mandamento, Abdruschin escreveu: “o ser humano comum,
estranhamente, raras vezes preza o que é seu, porém apenas aquilo
que ainda não possui. As trevas semearam avidamente a cobiça, e as
almas humanas, infelizmente, se entregaram com grande disposição,
a fim de criar o solo mais fértil para a triste sementeira. Assim,
com o correr do tempo a cobiça pela propriedade alheia tornou-se
motivo dominante de toda a atividade da maior parte da humanidade. A
começar de simples desejos, passando pela astúcia e pela
habilidade de convencer, aumentando até a inveja desmedida,
decorrente da contínua insatisfação, e até ao ódio cego.”
Os seres
humanos não aceitam a sua situação. Ao invés de viverem o
presente tal como ele se apresenta, ficam presos às insatisfações
e descontentamento, revoltando-se contra os acontecimentos desagradáveis
aos quais eles mesmos deram origem. Assim a sua vida nunca poderá
melhorar, pois se o seu presente é cheio de espinhos é isso o que
plantou no passado, para melhorar terá que produzir nova sementeira
e aguardar os melhores frutos, o melhor futuro.
O raciocínio,
essa máquina de pensar busca exercer amplo domínio sobre o nosso
comportamento, usa de todos os meios para nos manter ocupados para
impedir momentos de reflexão e interiorização nos quais poderíamos
ouvir o nosso íntimo efetivamente. Assim, ficamos separados do
nosso eu interior, a intuição, que serenamente poderia nos
conduzir para uma existência pacifica, através do despertar
espiritual, sem essa agressividade nefasta própria de seres humanos
acorrentados a valores materiais.
Os seres
humanos vão percebendo que a estabilidade acabou, e que isso fica
bem claro diante das rápidas mudanças que atingem a tudo o que os
rodeia, gerando insegurança e inquietação. Mesmo assim não
conseguem perceber que já estamos vivenciando um processo de
grandes transformações que deverá leva-los a almejar a ascensão
espiritual e não apenas o progresso material.
Assim, mais
uma vez chegamos ao mês de Dezembro, o mês do Natal.
Atualmente não se percebe mais aquela alegria vibrante que outrora
brotava espontaneamente no coração dos seres humanos com a
aproximação do Natal. O descontentamento é dominante. A insatisfação
distanciou os seres humanos das poderosas e benfazejas irradiações
do Amor que promoviam a paz e a harmonia entre os seres humanos,
assim, aquele forte desejo de confraternizar e abraçar os amigos e
as pessoas queridas, aos poucos se vai extinguindo.
O indivíduo
dominado pelo descontentamento fica como que lançando venenos em
sua corrente sangüínea. Exatamente o oposto do indivíduo alegre,
contente com o seu existir, que produz alegria por onde passa. Esse,
alem de fazer bem a si mesmo, também beneficia os demais. Os seres
humanos já não sabem mais exatamente o que são é o que é a
vida, e por isso não dão a ela o valor que ela tem, cuidando bem
de si mesmo evitando o auto-envenenamento para não ficar sofrendo
de males físicos e psíquicos.
Conhecendo
exatamente o significado da vida, os seres humanos deixariam de
fazer tantas coisas que só causam prejuízos ao corpo e à alma
passando a fazer as coisas certas que promovem o beneficiamento
geral. Mas para tanto terão que se livrar da insatisfação e
buscarem pela Luz
da Verdade, então estarão aproveitando o presente de maneira
acertada ao invés de desperdiça-lo inutilmente. Certamente colherão
progressos e felicidade.
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