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Por
dois milênios não se tem compreendido o exato significado do rogo
de Cristo, ao Pai, no Getsêmani. Pois, como esclarece Abdruschin,
Cristo não viera a Terra para ser sacrificado, mas sim, para trazer
aos seres humanos a explicação da Vontade Divina, que é sempre no
fundo apenas a interpretação do funcionamento de sua Criação, na
qual vivem os seres humanos que a ela pertencem. E conhecer a Criação
significa tudo! Pois, exatamente o desconhecimento das automáticas
leis da Criação é que levou os seres humanos a construírem um
mundo tão áspero e cruel, no qual o desejo de dominar e controlar
forjou uma construção em bases frágeis e instáveis, que já dão
mostras de exaustão, não mais suportando o peso de tantas falhas.
Interpretem
como interpretarem, os estudiosos prontamente acabam chegando a essa
mesma conclusão. Para Zigmunt Bauman, professor emérito de
sociologia na universidade de Leeds, Reino Unido, “os humanos supérfluos
tem sido depositados nas regiões vazias do Planeta, mas hoje a
modernidade se tornou, como previsto, condição universal, ou quase
universal da humanidade, e a produção de resíduos humanos
generalizou-se em praticamente todo o globo.” (FSP, Mais n.o 614).
Para
o professor se torna necessária a busca de soluções globais para
problemas produzidos em nível mundial.
Outro
pesquisador, o sociólogo alemão Robert Kurz, examinando a tão
decantada terceirização, concluiu que o que surgiu foi uma
terceirização da miséria em massa nas aglomerações urbanas, que
incham monstruosamente.”...Das antigas promessas de uma terceirização
progressista, sob o nome de sociedade da cultura, da assistência e
do lazer, não restou nada. Inclusive o turismo foi apanhado pela
crise.” Para ele a classe média social acabou derretendo.
Mas
o sociólogo acrescenta: “Se a humanidade não quiser findar, ela
terá de superar o reducionismo orgânico e mecânico e se
relacionar de maneira humana consigo própria. Só então ela poderá
se relacionar também de maneira humana com a natureza biológica e
física”. (FSP, Mais n.o 613).
Nestes
dois milênios depois de Cristo, tivemos praticamente quinze séculos
de imobilismo nos quais as comunidades humanas não atingiram o
apogeu de seu desenvolvimento. A partir do século 15 houve uma
ruptura, e começaram a surgir mudanças. As comunidades se
transformaram em Nações e estas em Estados Soberanos que passaram
a interferir profundamente nas atividades regulamentando a vida. Três
poderes se confrontam, o religioso, o do Estado burocrata, e o econômico
que, crescentemente, amplia a sua influência. Por trás de tudo
isso, sempre estiveram os próprios seres humanos que, ao invés de
buscarem intensamente o reconhecimento e atuação conforme as leis
da Criação, sempre estiveram disputando o controle das riquezas, a
influencia e o poder. Assim as incompreensões permaneceram e a Missão
de Cristo não foi reconhecida pelos seres humanos com exatidão.
Conforme
esclarece a Mensagem do Graal, “Cristo não teria rogado no Getsêmani
que o cálice do sofrimento lhe fosse desviado, se a morte na cruz
devesse ser um holocausto necessário. Nunca! Cristo não teria
feito isso. Durante dois milênios não se tem refletido nisso.”
O
ATUAL CENÁRIO
A
violência urbana se alastra pelas grandes cidades de forma
assustadora, intranqüilizando os habitantes. Os poderes constituídos
se vêem diante da insolvência, sem condição de saldar os débitos
mais essenciais. A AIDS retoma o seu avanço, tendo sido registrados
mais de cinco milhões de casos novos durante o ano de 2003. O
terrorismo também se globalizou, criando um clima planetário de
incertezas e insegurança de difícil combate. E o meio ambiente, o
habitat humano, se encontra seriamente danificado e sobrecarregado
de agentes poluidores.
As
novas gerações se encontram particularmente desesperançadas. As
possibilidades de emprego se concentram principalmente nos ramos de
atuação que empregam grande número de pessoas com qualificação
e remuneração baixa, com gestão autocrática totalitária e que
se utilizam largamente das idéias de Skiner que não deram grande
apreço à “noção de uma Humanidade que age por vontade própria.
Assim, “embora apresente algumas vantagens no ambiente
organizacional e tenha seduzido as organizações totalitárias, a
ciência skinneriana sinaliza para a criação de uma sociedade
composta de mortos-vivos, condicionada, sem lustro, superficialmente
bem-educada, depressiva.” (Dimensões Funcionais, Sandra Regina da
Rocha-Pinto, Coordenadora, Edit. FGV).
A
raiva e a frustração com a economia estão em alta em todo o
Planeta. Esta é uma conclusão que faz parte das “Profecias do
Pai Rico”, (Edit. Campus). Para os autores, Robert Kiyosaki &
Sharon Lechter, "tudo indica que o grande crash do mercado de ações
se arma no horizonte, mas esse não é o problema. Todos os mercados
financeiros sobem e descem. Os ciclos econômicos são parte da
vida. Dizer que o mercado de ações cairá é como prever a chegada
do inverno. A questão é quais serão as conseqüências do próximo
crash e a intensidade da queda... A má noticia é que o próximo
grande crash do mercado de ações revelará um nível de pobreza
nos Estados Unidos que abalará o mundo.”
Então,
como os sociólogos o descrevem, o quadro hoje é de verdadeiro
caos. O falhar está em toda a parte. “Para onde quer que se olhe,
há um quadro da mais desoladora confusão e de muita miséria. Inúmeras
cisões e o sempre crescente ódio mutuo.”
Como
entender essa situação?
“Nem
empregador nem empregados têm culpa disso, nem o capital nem a sua
falta, nem a igreja nem o Estado, nem as diferentes nações, mas tão-somente
a sintonização errada das pessoas, individualmente, fez com que
tudo chegasse a tanto!” (Mensagem
do Graal, de Abdruschin, dissertação: Pai Perdoai-lhes, Pois Não
Sabem o Que Fazem!)
Uma
nova sintonização se torna indispensável. Sonhar com um mundo
melhor em constante melhora. Desejar fazer do mundo um lugar melhor,
com mais alegria e beleza, apropriado para uma existência humana
condigna. Quando o ser humano reconhecer que é uma espécie
diferenciada, que além do instinto e do cérebro, também é dotado
de alma e intuição para agir com nobreza, colocando o raciocínio
a serviço de alvos mais elevados para construir uma civilização
verdadeiramente humana, teremos alcançado um estágio mais avançado,
de real evolução e enobrecimento da vida. Caso contrário o ser
humano se embrutecerá de forma irreversível. Viveremos num inferno
autodestrutivo!
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