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Ao
ensejo do lançamento do filme Tróia, de Wolfgang Petersen, em que
Brad Pitt, interpreta Aquiles, apresentamos a história com o foco
voltado para aquela que exerceu papel preponderante no desenrolar da
tragédia, a desconhecida Kassandra.
Helena era uma mulher
exuberante, de uma atraente beleza que imediatamente seduzia aos menos
vigilantes. Havia se casado com o rico e poderoso Menelau. Riqueza e
poder atraem fortemente esse tipo de mulher. Mas a vida estava se
tornando monótona, pois como poderia se sentir realizada em um
casamento feito por conveniência e interesses mesquinhos?
Então apareceu Páris com sua
juventude e beleza. Na verdade ela não foi raptada mas induziu o
pretensioso jovem a levá-la para Tróia. Páris afastou da memória as
advertências feitas por sua irmã Kassandra, preparada para, com seu
dom de profetizar o futuro, impedir a destruição da Tróia, tão querida
dos Enteais, servos de Deus, que se afeiçoaram àqueles seres humanos
de valorosa coragem e heroísmo.
Páris porém sufocou a sua
intuição, levando consigo a atraente e perigosa mulher, atraindo a ira
de Menelau e dos demais príncipes que logo viram um excelente pretexto
para saquear a rica e próspera cidade. E por diversas vezes Kassandra
exortou ao seu pai, o rei Priamos que ordenasse a devolução da vaidosa
Helena para evitar a destruição do povo de Tróia.
Mais ou menos na época em
que Moisés se entregava a sua missão libertadora, em Tróia, na Grécia
Antiga, Kassandra também amadurecia para a sua espinhosa missão de
advertir Tróia de seu terrível destino por causa do falhar dos filhos
do rei que ao invés de consolidarem o reino com sabedoria e dignidade,
provocaram o desaparecimento da orgulhosa Tróia.
E, por causa desse falhar,
decorrente do orgulho e da vaidade, Kassandra, com sua vidência tinha
que antever apenas visões trágicas e deprimentes para transmitir,
advertindo à família real e ao povo. Mas eles, ao invés de buscarem as
causas de sua vida errada para evitar o infortúnio, se revoltavam
contra a vidente, dificultando a sua missão.
Os seres humanos, quando
dominados pela vaidade, não gostam que se lhes mostre a verdade, pois
nesses casos a verdade dói. Kassandra anunciava que a desgraça adviria
por culpa de um dos filhos que em sua arrogância e vaidade não quis
reconhecer o seu erro. Enfeitiçado por Helena foi cometendo erros
sobre erros levando todo um povo à desgraça.
E quando se recorda de
Kassandra, muitas desgraças surgem na memória, e, lamentavelmente, o
seu nome tem sido utilizado largamente para qualificar as pessoas que
ousam apresentar cenários realistas para a humanidade.
"Um novo dia traz novo
horror! Ai de ti, Helena, que ousaste pisar no palácio. Ai de ti filho
de Priamos, que desencadearás o pior destino sobre Tróia. Agora todos
deverão partir daqui, todos que ainda se alegram com o Sol. Os deuses
mandarão desgraça. O próprio Zeus está irado. Abandonaste um rei, um
outro privarás dos filhos. Helena, beleza sem coração, o que procuras
aqui?".
Tardiamente Páris reconheceu
o seu erro, decepcionando-se profundamente com Helena, mulher sem
coração que ousara pedir-lhe que matasse Aquiles, cortasse sua cabeça
e a trouxesse para ela. Helena, beleza sem coração, mulher desalmada.
“Perdoai tudo que a minha imprudência trouxe para vós. Por amor a uma
indigna provoquei essa desastrosa guerra.”
E o nome de Kassandra foi
associado às tragédias que suas advertências poderiam ter evitado.
Assim a vida de Kassandra ficou gravada na história da humanidade e
retransmitido no livro Histórias de Tempos Passados, editado
pela Ordem do Graal na Terra, que resgata a sua imagem revelando a sua
heróica missão.
Contudo ainda resta uma
grande dúvida, uma pergunta não respondida: Por que Kassandra? Por que
Tróia? Tróia poderia ter evoluído beneficiadoramente de forma a se
constituir num modelo inspirador para os demais povos de como o ser
humano deve conduzir a sua existência terrena para evoluir em paz e
harmonia através de alegres atividades, mediante o reconhecimento das
leis da Criação.
Responde Roselis Von Sass,
em
"O Livro do Juízo Final" (pág.233 a 236):
Apolo e
Kassandra
"Voltemos
mais uma vez para Apolo. Muitos espíritos do grupo de elite de Lúcifer
se aproximavam das mulheres humanas, disfarçando-se em Apolo, de
preferência. Assim aconteceu que por diversas vezes um desses
espíritos decaídos, simulando amor, aproximou-se da jovem Kassandra,
filha de Príamo, rei dos troianos, apresentou-se como Apolo. Kassandra,
que fora estreitamente ligada ao amor divino, e que possuía também um
excepcional dom de vidência, era odiada por todos os servos de
Lúcifer.
O princípio
de Lúcifer dirigia-se contra a atuação do amor de Deus! E em Kassandra
estavam ancoradas irradiações do amor! Por isso ela era perigosa!
Logo, deveria ser aniquilada ou posta fora de ação...
O espírito
maléfico que se aproximara de Kassandra, como sendo Apolo, esperava
também subjugar sua alma facilmente. Havia suposto que ela não poderia
resistir a Apolo, o senhor do astro solar, uma vez que os raios
solares estavam igualmente em conexão de alguma maneira com o amor
divino...
Não foi
apenas Kassandra que os espíritos de Lúcifer quiseram destruir... seu
ódio estendia-se também ao povo troiano que guardava aquela preciosa
jóia entre os seus. Simultaneamente, todos os heróis deviam ser
atraídos para uma armadilha da qual jamais conseguiriam libertar-se.
Kassandra
não foi uma mulher terrena comum, não era vaidosa e nem superficial.
Assim que o suposto Apolo a cortejou, intuitivamente sentiu uma
repulsa inexplicável. Repudiou-o bruscamente. Seu coração estarrecia
uma frieza glacial sempre que ele se aproximava ...
Naquela
época, o excepcional dom de vidência da jovem Kassandra
desenvolvia-se. A desgraça que ameaçava seu povo não lhe pôde ficar
oculta. Havia ainda tempo para a desgraça ser afastada, se algo
acontecesse imediatamente.
No entanto,
nada se fez. Seu pai, Príamo, estava disposto a levar a sério suas
visões e advertências e agir de acordo. Entretanto, sua mãe, Hekuba,
exercendo grande influência sobre ele, fizera o contrário: proibiu-a
expressamente de molestar os demais com as advertências e visões. Caso
a ordem não fosse cumprida, ela seria encarcerada.
Hekuba era
poderosa. Kassandra teve de presenciar em silêncio como Tróia estava
sendo subjugada pelos inimigos e como os melhores heróis troianos iam
morrendo em combate.
Três
mulheres, cujas almas estavam completamente sob a influência das
trevas, foram na realidade os instrumentos na Terra que provocaram a
queda de Tróia, causando também a terrível morte da jovem Kassandra
...
A primeira
delas foi a vaidosa Helena, a suposta filha de Zeus. Ela, a esposa do
rei espartano Menelau, tendo sido ferida em sua vaidade, instigou a
guerra contra Tróia.
A segunda
foi Hekuba. Se houvesse escutado as advertências de sua filha
Kassandra em tempo, Tróia poderia ter sido salva.
A terceira
foi Clitemnestra, esposa de Agamenon, rei de Micenas. Essa mulher
diabólica, quando Kassandra chegara presa em Micenas, mandou
encerrá-la hermeticamente num compartimento de uma torre,
emparedando-a viva. A vitória de Lúcifer não poderia ter sido mais
completa.
Enquanto
Kassandra aguardava a morte, encerrada dentro daquela torre,
apareceu-lhe o verdadeiro Apolo. Não surgiu numa auréola fictícia como
o falso, o qual se havia aproximado dela numa gruta do jardim paterno,
pois nenhum dos enteais pode apresentar-se dessa maneira, porque
auréolas não existem nos mundos materiais. Apolo, mesmo sem ela,
possui algo irradiante que o envolve. Todos os que o vêem sentem
intuitivamente uma bem-aventurada alegria de viver que se eleva tal
qual uma prece de gratidão em louvor ao Criador.
Kassandra
sentiu também imensa alegria ao vê-lo, jubilosa alegria e gratidão.
Esqueceu-se do cárcere aterrador em que se encontrava. Reconheceu ao
mesmo tempo que Apolo já havia estado próximo dela muitas vezes no
decorrer da sua infância. Além disso, foi ele um dos que vieram
trazer-lhe alguma alegria à sua solitária infância. Contudo, não foi
somente Apolo que permanecera junto de Kassandra até o seu
desligamento terreno, mas também outros enteais. Sempre prontos a
prestar auxílios, esses entes a fizeram esquecer-se do medonho lugar
em que se encontrava.
Com o
término da guerra troiana, veio o fim do heroísmo. Os inúmeros heróis
que ainda havia naquela época em Esparta, Tróia, Micenas e outros
principados, tinham-se deixado seduzir por mulheres superficiais
obcecadas pelo poder; todos eles foram induzidos a uma guerra indigna.
Não só a "bela Helena" havia instigado a guerra, como também
Clitemnestra fez pressão sobre Agamenon para que participasse do
combate contra Tróia. Desejava ficar sozinha no palácio de Micenas com
o seu amante. E os heróis troianos? A maioria deixou-se prender
imperceptivelmente sob a influência das asseclas femininas de Lúcifer,
que os incentivavam a ter sempre novas aventuras amorosas.
Os deuses
ficaram irados com o esmorecimento dos heróis; haviam descido tanto,
que qualquer mulher decaída, tanto no aquém como no além, tinha o
poder de influenciá-los. Não só estavam irados, como também
abandonaram completamente esses heróis. Outrora, guiavam os homens
terrenos que estavam ligados ao heroísmo, fortalecendo-os! Quando os
seus protegidos tinham de levantar a espada por uma causa justa,
sempre estavam a seu lado, auxiliando-os para a vitória. Porém, heróis
que nada possuíam, além de estupidez e presunção, eram-lhes
repugnantes. Dia a dia a espécie humana ia se tornando mais asquerosa
para eles...
O gigante
Palas, às vezes, surgia à noite, no céu. Seu braço estendido segurava
uma cabeça humana que parecia ser formada inteiramente de serpentes; a
outra mão, fechada em punho, dirigia-se ameaçadoramente para baixo,
contra a Terra.
Tremendo de
medo e pavor todos observavam tal aparição, e olhavam para o gigante
que segurava a cabeça de serpentes. Contudo, o seu punho causou-lhes
mais medo do que tudo o mais... Outras vezes, ao anoitecer, assim que
o sol se encontrava no horizonte, aparecia também a deusa Atena. Alta
como uma torre, achava-se entre o céu e a Terra e segurava igualmente
uma cabeça humana da qual saíam serpentes ...
"Atena está
irada", afirmavam com razão os seres humanos! Por toda a parte, quer
na Grécia como na Ásia Menor, as mulheres, tomadas de maus
pressentimentos, reuniam-se a fim de refletir de que maneira poderiam
readquirir a benevolência da deusa ... Ao mesmo tempo houve muitos que
escarneceram da deusa com punhos ameaçadores, comportando-se como
fúrias, em seus acessos perversos de ódio.
Da mesma
forma, Atena, como outros tantos grandes enteais, se afastou dos seres
humanos. Ela havia despertado outrora nas mulheres um conceito nobre e
altivo de feminilidade, proporcionando-lhes uma certa dignidade e
grandeza soberana ... Mas para isso o tempo já se havia escoado. Não
se procurava mais pela legítima feminilidade, tampouco pela caridade,
bondade, amor à verdade, senso de beleza e todas as outras virtudes
que outrora haviam feito da mulher na Criação posterior uma criatura
resplandecente ... (*) Na época da guerra troiana, raramente se
encontravam em toda a Terra mulheres que ainda honrassem o seu nome."-
(*) Vide "Na Luz da Verdade",
Mensagem do Graal, de Abdruschin, vol.3, dissertação "Fios de Luz
Sobre Vós!"
* * *
A mulher moderna, que
realmente deseja manter-se fiel à sua essência feminina, deve
desenvolver as suas capacitações até a máxima florescência. A adequada
postura da mulher no lar é mágica, ela é capaz de criar um clima de
serenidade que beneficiando primeiramente aos seus, seja em sua saúde
física ou psíquica, estende-se muito alem favorecendo a paz mundial.
Isto é, quando houver paz e harmonia nos lares, menos crimes e
violência ocorrerão no mundo. Elas têm a capacidade de criar o céu ou
o inferno dentro de casa.
Os homens por sua vez, não
podem agir com despotismo e desmazelo desrespeitando a ordem do lar e,
sempre que possível, deverão colaborar nas atividades domésticas
ajudando as respectivas mulheres em tudo o que puderem, assim como um
não deve dificultar a vida profissional do outro.
* * *
O maravilhoso dom concedido
a Kassandra, não foi compreendido, pois os seres humanos davam vazão a
sua maldade, e ao antever o futuro só havia desgraças para serem
apontadas, mas, teimosos, os filhos do rei não corrigiram suas falhas
e caminharam para a desgraça, deixando que Tróia fosse aniquilada.
Quando Páris recusou-se a
atender Kassandra, suplicando que devolvesse Helena a Menelau, em
sinal de luto, ela cobriu a testa com véu negro, pois sabia que o
destino de Tróia estava selado.
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