Nos
últimos dias temos visto nos jornais e outros meios de comunicação
algumas opiniões sobre a questão da conservação da fauna em nosso país
e no mundo, depois que foi anunciada a reabertura da temporada de caça
amadora no Rio Grande do Sul.
Os principais argumentos
daqueles favoráveis a essa “atividade esportiva”, dizem respeito aos
recursos financeiros que tal atividade pode trazer para a economia de
uma região, e a conseqüente utilização dessas receitas para projetos
de proteção e conservação da natureza. São citados sempre como
exemplos bem sucedidos os países do primeiro mundo, como a Inglaterra,
França, Itália, Espanha e principalmente os EUA, onde são movimentados
25 bilhões com a caça esportiva.
Há vários séculos a nossa
humanidade tem presenciado - e participado - da destruição deste
planeta, principalmente no que diz respeito aos crimes que são
praticados contra os animais, levando centenas de espécies à ameaça de
extinção e até mesmo ao desaparecimento precoce de várias delas. Só no
Brasil existem hoje, de acordo com o IBAMA, 69 espécies de mamíferos e
153 de aves ameaçadas, devido ao total desrespeito que temos infligido
ao meio ambiente, como a caça predatória, as queimadas, a poluição e o
desmatamento.
Uma atividade que pode ser
denominada de “caça esportiva”, só poderia surgir em uma humanidade
como a nossa, afundada em guerras e desequilíbrios de toda espécie.
Uma humanidade endurecida, na qual muitos de seus membros, já
totalmente desligados do Amor de Deus, divertem-se matando animais
indefesos.
Mas para alguns estudiosos a
caça amadorista é regulada segundo critérios técnico-científicos e
efetivamente fiscalizada pela autoridade pública competente, como
ocorre em outros países. Citam os EUA como um exemplo a ser seguido, o
que não convém nessa análise, por sabermos que aquele país, através de
seu governo, é um dos principais responsáveis pela destruição do meio
ambiente em nosso planeta, devido a sua ânsia desenfreada pelo
crescimento econômico.
Imaginar que vamos obter
alguma espécie de êxito incentivando e regulamentando o exercício da
caça é apenas fruto de nossa ingenuidade e uma falta de inteligência,
pois a história recente do mundo nos mostra claramente que as nossas
ações (ou a falta delas) ligadas ao meio ambiente tem sido totalmente
equivocadas, visto que podemos ver hoje os atuais ecossistemas
entrando em colapso e uma rápida evolução do aquecimento global, que
“poderá custar milhões de vidas em poucos anos”, como demonstrou o
artigo de David Stipp na Revista norte-americana Fortune, após
analisar um estudo do Pentágono sobre os problemas ambientais do nosso
Planeta.
O poder público deveria sim
direcionar suas ações em outros sentidos, como por exemplo,
intensificar a fiscalização da caça predatória e promover ações para
evitar que, por exemplo, milhões de animais sejam ilegalmente
retirados anualmente das matas brasileiras e vendidos em diversas
cidades do país e no exterior representando isso um faturamento de
mais de 2 bilhões de dólares por ano.
Aliado a essas ações,
deveríamos todos, poder público e sociedade civil, organizar trabalhos
de conscientização com adultos e crianças para a importância da
preservação dos animais, não apenas pela questão econômica, mas para
retomarmos aos poucos o verdadeiro amor que deveríamos ter a todos os
seres vivos que participam conosco da vida nesse planeta.
Apenas dessa maneira
poderemos formar novas gerações capazes de raciocinar de uma forma
diferente, que colocam o amor e o respeito à natureza em primeiro
lugar, o que poderá provocar o ressurgir de uma nova humanidade que
age segundo aqueles nobres valores espirituais há muito perdidos em
algum lugar do passado... e que poderá levar a Terra a um novo degrau
de desenvolvimento.
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