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Caça amadora pra quê?

 Por José Guilherme Said Pierre Carneiro
 

Nos últimos dias temos visto nos jornais e outros meios de comunicação algumas opiniões sobre a questão da conservação da fauna em nosso país e no mundo, depois que foi anunciada a reabertura da temporada de caça amadora no Rio Grande do Sul.

Os principais argumentos daqueles favoráveis a essa “atividade esportiva”, dizem respeito aos recursos financeiros que tal atividade pode trazer para a economia de uma região, e a conseqüente utilização dessas receitas para projetos de proteção e conservação da natureza. São citados sempre como exemplos bem sucedidos os países do primeiro mundo, como a Inglaterra, França, Itália, Espanha e principalmente os EUA, onde são movimentados 25 bilhões com a caça esportiva.

Há vários séculos a nossa humanidade tem presenciado - e participado - da destruição deste planeta, principalmente no que diz respeito aos crimes que são praticados contra os animais, levando centenas de espécies à ameaça de extinção e até mesmo ao desaparecimento precoce de várias delas. Só no Brasil existem hoje, de acordo com o IBAMA, 69 espécies de mamíferos e 153 de aves ameaçadas, devido ao total desrespeito que temos infligido ao meio ambiente, como a caça predatória, as queimadas, a poluição e o desmatamento.

Uma atividade que pode ser denominada de “caça esportiva”, só poderia surgir em uma humanidade como a nossa, afundada em guerras e desequilíbrios de toda espécie. Uma humanidade endurecida, na qual muitos de seus membros, já totalmente desligados do Amor de Deus, divertem-se matando animais indefesos.

Mas para alguns estudiosos a caça amadorista é regulada segundo critérios técnico-científicos e efetivamente fiscalizada pela autoridade pública competente, como ocorre em outros países. Citam os EUA como um exemplo a ser seguido, o que não convém nessa análise, por sabermos que aquele país, através de seu governo, é um dos principais responsáveis pela destruição do meio ambiente em nosso planeta, devido a sua ânsia desenfreada pelo crescimento econômico.

Imaginar que vamos obter alguma espécie de êxito incentivando e regulamentando o exercício da caça é apenas fruto de nossa ingenuidade e uma falta de inteligência, pois a história recente do mundo nos mostra claramente que as nossas ações (ou a falta delas) ligadas ao meio ambiente tem sido totalmente equivocadas, visto que podemos ver hoje os atuais ecossistemas entrando em colapso e uma rápida evolução do aquecimento global, que “poderá custar milhões de vidas em poucos anos”, como demonstrou o artigo de David Stipp na Revista norte-americana Fortune, após analisar um estudo do Pentágono sobre os problemas ambientais do nosso Planeta.

O poder público deveria sim direcionar suas ações em outros sentidos, como por exemplo, intensificar a fiscalização da caça predatória e promover ações para evitar que, por exemplo, milhões de animais sejam ilegalmente retirados anualmente das matas brasileiras e vendidos em diversas cidades do país e no exterior representando isso um faturamento de mais de 2 bilhões de dólares por ano.

Aliado a essas ações, deveríamos todos, poder público e sociedade civil, organizar trabalhos de conscientização com adultos e crianças para a importância da preservação dos animais, não apenas pela questão econômica, mas para retomarmos aos poucos o verdadeiro amor que deveríamos ter a todos os seres vivos que participam conosco da vida nesse planeta.

Apenas dessa maneira poderemos formar novas gerações capazes de raciocinar de uma forma diferente, que colocam o amor e o respeito à natureza em primeiro lugar, o que poderá provocar o ressurgir de uma nova humanidade que age segundo aqueles nobres valores espirituais há muito perdidos em algum lugar do passado... e que poderá levar a Terra a um novo degrau de desenvolvimento.

José Guilherme é Administrador de Empresas e Coordenador do Projeto SóCultura!

 

 

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