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É preciso saber viver (1)

 Por José Guilherme Said Pierre Carneiro
 

“É preciso saber viver!”, é o famoso refrão da música de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, gravada na década de 70.

Estudiosos das mais diversas áreas de conhecimento vêm desenvolvendo pesquisas e divulgando suas teorias sobre como obter uma melhor qualidade de vida neste mundo tão caótico e estressado no qual estamos vivendo.

Milhares de livros são publicados todos os anos, exaltando a importância de uma alimentação mais saudável, da prática regular de exercícios físicos, meditação, busca da espiritualidade, tranqüilização dos pensamentos e várias outras técnicas e tendências. Tudo isso é muito bom, é verdade, e se colocado em prática pode temporariamente levar o homem a um maior equilíbrio físico-mental e a sensação de um certo (e às vezes incerto) bem-estar.

No entanto uma melhora geral não consegue se sustentar por muito tempo, caso não seja acompanhada por outras atividades mais valiosas e ligadas ao âmago mais profundo de um ser humano: a sua alma. A falta de uma ligação maior com tudo aquilo que diz respeito à alma, ao espírito, e dessa maneira, às Leis de Deus e à sua Vontade, acelerou nesses últimos séculos o crescente materialismo, levando a humanidade a um estado de completa perturbação, miséria, estresse e desesperança.

Sim, é preciso saber viver! Mas para isso seria necessário cumprirmos os nossos deveres como seres humanos e nos enquadrarmos novamente às leis naturais desta Criação. No entanto não demos continuidade ao elevado saber desenvolvido pelos povos antigos, os quais tinham um maior conhecimento daquelas leis, nem atentamos com humildade às palavras daqueles que vieram em missão neste planeta mostrar como deveríamos viver. Suas doutrinas foram conspurcadas, alteradas e superficialmente interpretadas, escolhendo a humanidade um diferente e triste caminho, que, como podemos ver hoje, não poderia ter sido pior.

Para um retorno do real equilíbrio e da completa paz interior é preciso que procuremos alimentar corretamente não apenas o nosso corpo, mas também o nosso espírito, buscando com toda energia as respostas àquelas questões mais profundas que dizem respeito a nossa própria existência: De onde viemos? Para onde vamos? Quem somos?

Como esclarece Abdruschin, na Mensagem do Graal, “É dever sagrado do espírito humano pesquisar por que se encontra na Terra, ou por que motivo vive nesta Criação à qual se encontra ligado por milhares de fios”. E mais adiante conclui: “Entretanto, são apenas poucos os seres humanos que conseguem, penosamente, libertar-se a tal ponto da preguiça de seu espírito, para se ocupar sinceramente em pesquisar qual a sua finalidade na Terra”.

Analisando a história mundial nos dois últimos milênios, vemos que essa preguiça espiritual dominou a maior parte da humanidade terrena, ocasionando uma inenarrável queda da qualidade de vida em todos os países. O século XX – o século das guerras - está aí para nos mostrar que a nossa espécie esqueceu completamente da sua boa e nobre origem espiritual, preferindo se deixar arrastar facilmente - e sem resistência - por todas as fraquezas que o cérebro humano cultivou.

Esquecemos que saber viver é saber por que se está neste Universo e como se deve agir dentro dele. Não é acaso, como muitos preferem imaginar, entregar-se irrefreavelmente a toda sorte de divertimentos e comodidades, numa vida totalmente despreocupada, que nos mantêm esquecidos de nossas reais obrigações como hóspedes deste mundo.

Em segundo lugar, e aliada à procura de respostas, é preciso que coloquemos realmente em prática a nossa religião, seja ela qual for, vivenciando-a em nosso dia-a-dia com o nosso próximo e com toda a natureza e os seus seres, sempre tendo em vista a nossa elevação ética e moral e a preservação do planeta. Uma Terra mais equilibrada não poderá ser construída sem a utilização da Lei do Amor, tão evidenciada por Jesus, Buddha, Maomé e por vários outros sábios e mestres que por aqui passaram.

Assim, estaremos com o tempo aprendendo – verdadeiramente - a saber viver, considerando finalmente todos os aspectos que precisam ser levados em conta para obtermos um contínuo progresso em nossa qualidade de vida sem esquecer da necessária movimentação constante tanto do corpo como do espírito que no fundo não quer descanso enquanto não encontrar o sentido do verdadeiro saber viver...

 

José Guilherme é Administrador de Empresas e Coordenador do Projeto SóCultura!

 

 

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