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Organização
é uma palavra abrangente, que
não se refere exclusivamente a empreendimentos comerciais,
podendo ser aplicada
também às instituições
religiosas, governamentais e a associações de
toda
espécie, cada qual fundamentada em sua cultura e objetivos
próprios. O que
todas apresentam em comum é que se estabeleceram com base no
planejamento feito
pelo raciocínio com vista aos objetivos determinados. E foi
a partir do séc. XV
que as organizações, especialmente as comerciais,
passaram a ter projeção no
cenário mundial e a competir com o poder
monopolístico da religião.
A
questão é que o poder existente no
âmago
dessas instituições nem sempre é
perceptível. Nada é mais sedutor do que o
poder de decidir e de influenciar as massas ou grupos de pessoas. E
esse
fascínio tem acompanhado o ser humano desde longa data. O
surgimento das
companhias como hoje as conhecemos provocou um novo impacto sobre a
civilização
humana, na medida em que rompeu as muralhas que isolavam os povos e as
cidades,
levando bens monetários, mercadorias, pessoas e culturas
para todos os recantos
da Terra. E ao crescerem e ampliarem seus tentáculos,
estabeleceram grande
influência sobre a vida, determinando silenciosamente a forma
de viver.
As
companhias passaram a influir de forma
decisiva no controle das atividades humanas, se constituindo na base da
prosperidade do Ocidente. Mas não podemos nos esquecer de
que quem está por
trás disso tudo é o ser humano - a mesma criatura
que desde sempre buscou pelas
posições de destaque e comando.
O
poder sempre exerceu grande fascínio e a
sua busca egocêntrica contribuiu para aumentar o
embrutecimento e para
proliferar as desgraças e miséria sobre a Terra.
Na
Antigüidade, a sede de poder levou à
exploração das pessoas através do
trabalho escravo. E tal prática,
posteriormente exercida sobretudo nas Américas, marcou o
início do declínio da
civilização européia, e provocou
conseqüências terríveis para o
desenvolvimento
do Brasil. Atualmente o trabalho escravo é tido como
barbárie. No entanto,
ainda observamos que existem muitas pessoas exercendo cargos de comando
sem
consideração, nas quais se sobressai o desejo de
subjugar outro ser humano,
condenando-o a uma existência sacrificada sem tempo para si
mesmo.
E
os centros de decisão reservados a um
núcleo restrito sem abertura para
participação, provoca nas pessoas, em
conseqüência, um vazio existencial. A falta de maior
envolvimento com as metas
a serem alcançadas, a falta de metas mais elevadas, favorece
a busca de uma
fuga da realidade através do fumo, do consumo de drogas
ilícitas, e o abuso no
consumo de bebidas alcoólicas. E é justamente
nesse ambiente que temos de
atuar. Essa missão pode parecer difícil, e
realmente o é, porque a participação
do elemento humano fica muito despersonalizada, sentindo-se muitos como
peças
descartáveis neste mundo de poucos empregos e elevada
população. Ademais, os
grandes avanços tecnológicos, têm
propiciado a substituição do trabalho humano
pela automação, sem que tivéssemos
ainda alcançado uma etapa mais avançada da
economia que permita a liberação do ser humano
para cultivar o
auto-aprimoramento.
O importante é
não desanimar. A vida
moderna exige competência, aprendizado continuado e bom
senso, e é
imprescindível que não nos deixemos contaminar
pelo baixo astral. Para isso
basta fazer o que precisa ser feito, com
dedicação, atenção e
otimismo. Hoje
mais do que nunca se constata que o trabalho deve propiciar
satisfação,
alegria, felicidade e ser percebido como uma parte fundamental da vida.
Cada
ser humano
necessita, no trabalho e na vida pessoal, de um significado, de um
propósito. É
o que nos dá sustentação
física, emocional e psicológica. Apenas quando o
ser
humano reconhecer que além do instinto e do
cérebro, também possui alma e
intuição para agir com nobreza, poderá
alcançar um estágio mais avançado.
Assim
teremos trabalho e organizações com alma. O
trabalho deixará de ser uma
impiedosa luta pela sobrevivência, transformando-se em fonte
de alegria e
auto-realização, impulsionando a verdadeira
evolução humana.
BENEDICTO ISMAEL CAMARGO
DUTRA
Autor do livro “ENCONTRO COM O
HOMEM SÁBIO,
“REENCONTRO COM O HOMEM SÁBIO EM BUSCA DO
SANTO GRAAL e
"NOLA,
O MANUSCRITO QUE ABALOU O MUNDO"
Editora Marco Zero/Nobel
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