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Grande parte de nosso tempo passamos em ambientes de
trabalho.
O
trabalho faz parte da vida. É um meio de crescermos, de nos
sentirmos produtivos através de uma
construção benéfica. Mas quanta
frustração ocorre nos ambientes de trabalho. As
exigências estruturais das linhas de montagem, o
autoritarismo e seus abusos, a disseminação do
medo de represálias, da perda de benefícios ou
mesmo do emprego, compelem as pessoas a se sentirem subjugadas, sem
liberdade para falar o que pensam e o que sentem, mesmo quando se trata
de flagrantes injustiças.
O
ambiente de trabalho deveria ser estimulante, descontraído e
alegre, onde as pessoas estariam se dedicando em desenvolver atividades
de interesse geral, benéficas para outros
indivíduos, cidade ou país onde vive. Isto
é, um trabalho beneficiador do nosso mundo. Contudo,
não podemos perder de vista que este mundo, do jeito como o
sentimos hoje, áspero e sem coração,
foi semeado no passado pelos próprios seres humanos.
Haviam
muitos ideais. Uma grande ansiedade por um mundo mais equilibrado, sem
tanta miséria e pobreza. A Revolução
Francesa, ao final do século 17, em meio a uma grave crise
econômica, propunha os ideais de igualdade e liberdade. O
Iluminismo, movimento que propunha mais solidariedade entre os seres
humanos, opondo-se ao Antigo Regime susceptível à
autoridade da Igreja. A burguesia reivindicando um papel proeminente na
política e na condução dos
negócios do Estado. A Revolução
Francesa é uma pequena amostra da grande
efervescência que sacudia a Europa, em busca de uma nova luz.
E
mais de duzentos anos se passaram. Miséria por
miséria, a do século 21 não fica
devendo nada à do século 17, e se espalha por
todos os continentes. No Brasil, sob viadutos e pontes os
“novos miseráveis” constroem suas
moradias. Mas ali não é lugar para se morar.
Então, com certa freqüência os viadutos
vão explodindo. Já aconteceu em São
Paulo. Agora foi a vez do Rio de Janeiro, a pista da Linha Vermelha
afundou durante o incêndio na Favela da Lacraia. Em todos os
países ocorrem grandes problemas. Até nos Estados
Unidos, as estatísticas dão conta de que o
desemprego é o maior dos últimos 4 anos.
Quanto
mais pobre a região, mais as mulheres geram filhos. Gerar
filhos exige muita responsabilidade. Enquanto as
populações não estavam aglomeradas nas
regiões urbanas, os filhos se iam integrando à
vida do campo, extraindo do solo o seu sustento. Nas cidades a vida se
tornou muito mais difícil e complicada. Tudo depende de
dinheiro, de habilidades para arrumar emprego, da
situação da economia. Então o
êxodo para as cidades está provocando um
verdadeiro caos urbano.
Assim
a obtenção de dinheiro se tornou a
preocupação dominante dos seres humanos. Para
muitos chega a ser a principal motivação de suas
vidas. Enquanto para uns a preocupação com as
contas provoca pânico e insegurança, absorvendo
grande parte de suas energias, para outros a grande razão de
suas vidas é ganhar dinheiro. Nada mais importa, desde que
recebam a sua parte. Onde entram os interesses pelo dinheiro,
desaparecem as amizades, os escrúpulos, a ética.
Assim, não há o que estranhar se os objetivos do
Iluminismo foram frustrados, e de novo a humanidade esteja atravessando
um período de miséria espiritual e material.
Aliás, a miséria espiritual nunca foi afastada,
sempre esteve presente. Por vezes algo camuflada, e, mais recentemente,
flagrantemente visível através da
manifestação dos ódios entre as
facções através dos mais hediondos
atos terroristas, bem como a penúria material por que passam
bilhões de pessoas.
Contudo,
administrar os bens e a produção é uma
atividade que requer liderança, preparo, sabedoria. Os
homens que se dedicam a isso são merecedores de todo o
respeito. O grande mal foi a mistura da atividade econômica
com religião e política. Os representantes das
religiões, os políticos e os agentes
econômicos, todos querem ter a sua
participação no poder. Nisso as cisões
representam um papel determinante. Assim, se inverteram os objetivos, e
os meios passaram a justificar os fins, resultando numa progressiva
decadência geral em todos os campos. Se os governantes
cuidassem de administrar o Estado sem muito envolvimento e poder
decisório na esfera econômica, cuidando da
população como deveriam cuidar, então
deixariam de exercer essa forte atração sobre o
poder econômico que vai fundo no financiamento das campanhas
eleitorais. No passado, o poder religioso caminhava junto com o Estado
para impor a sua crença sem
contestações. A partir do advento do Capitalismo,
o poder econômico se foi enlaçando ao poder
Estatal como meio de manipular o favorecimento da
acumulação através de um
relacionamento espúrio.
Atualmente,
em todas as atividades humanas falta coração,
falta uma verdadeira
ética espiritual. Mas isso
não quer dizer que se deva trabalhar de graça, ou
desprezados os bens. A propriedade é um direito
inalienável, e a sua conquista faz parte da vida, favorece o
crescimento do ser humano, desde que não tornada finalidade
principal e exclusiva. Evidentemente, isso tudo tinha que influir no
ambiente de trabalho, onde encontramos principalmente
indivíduos desanimados e sem
motivação, porque acabaram se transformando em
meros instrumentos de produção.
“O novo ambiente de trabalho
saudável será um ambiente de franqueza sem medo,
caracterizado por um clima de verdade e abertura, onde os empregados
exorcizam o medo de ser demitidos, punidos, intimidados pelo chefe ou
considerados de pouco valor para a empresa. Ninguém mais
temerá falar a verdade diante dos detentores do poder. As
pessoas se atreverão a ser firmes nas suas
discordâncias e criativas na
manifestação de suas idéias.
Será o fim da violência estrutural nas
práticas administrativas das empresas.
No cenário do ambiente de trabalho
saudável do futuro, o amor, o poder e trabalho
produzirão transformações profundas na
qualidade dos serviços que os homens prestam uns aos outros,
construindo, nesse processo, um mundo belo, saudável e
justo.” (Jorge Lessa, Mandar é
fácil...Difícil é liderar)
Antes
porém, tudo terá que se tornar novo no ser
humano, mas para tanto terá que buscar pela Luz da Verdade,
para que ela reascenda a chama do amor em seu
coração.
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