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“Essa bifurcação do  desenvolvimento científico no final do Século 20 irá finalmente atingir um clímax. O caldeirão de novas idéias está a ferver, fermentado pelo acúmulo de novas experiências"

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


    

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
"As culturas antigas não estavam atreladas ao método científico, e por isso chegaram a conclusões por uma via diferente."

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

      

 

 Ciência
Entrevista com o Cientista Wladimir Guglinski

Continuação da Entrevista 

SóCultura - O que a maioria das pessoas também não sabe é que houve uma divisão da comunidade científica no século 20. O que realmente aconteceu?

Guglinski - A divisão da comunidade científica aconteceu por decorrência do fato de que o método científico é ineficiente para a descoberta da verdadeira realidade pela qual os fenômenos físicos se manifestam.

Em meu livro eu mostro que na verdade a lógica do método científico está errada, apesar de que este erro de lógica tenha sido necessário para proporcionar o desenvolvimento tecnológico atingido no Século 20. Tal desenvolvimento tecnológico é que nos tem fornecido dados que serão indispensáveis para que, no Século 21, se corrija o erro de lógica do método científico vigente.  

Vejamos como aconteceu a ruptura na comunidade científica.

Há duas rupturas a se considerar: na Biologia e na Física

1) Na Biologia

Os biólogos se dividem atualmente pela sua abordagem dos problemas:

A) pela abordagem reducionista

B) pela abordagem holística.

Nas universidades, os biólogos conservam a abordagem reducionista por dois motivos:

a) Ela foi muito eficiente no desenvolvimento da Biologia ao longo dó Século 20.

b) Esta abordagem materialista é que está em perfeita sintonia com o método científico 

Quem quiser adquirir um conhecimento mais detalhado dessa ruptura pode obtê-lo lendo o livro "O Ponto de Mutação", de Fritjof Capra, onde ele diz na página 96:

"Não é fácil determinar as limitações precisas da abordagem cartesiana no estudo de organismos vivos. A maioria dos biólogos, sendo fervorosos reducionistas, não está sequer interessada em discutir essa questão. Só depois de muito tempo e de considerável esforço descobri onde é que o modelo cartesiano falha. Os problemas que os biólogos não podem resolver hoje, ao que parece em virtude de uma abordagem estreita e fragmentada, estão todos relacionados com a função dos sistemas vivos como totalidade e com suas interações com o seu ambiente. Por exemplo, a ação integrativa do sistema nervoso continua sendo um mistério".

2) Na Física

Os problemas na Física começaram há muito tempo, quando Newton propôs sua teoria.

Mas foi no final do Século 19 que a situação se agravou. Vejamos o que tem acontecido.

Os físicos do Século 19 defendiam a teoria da existência de um éter que preenche o espaço.

Um engenheiro chamado Michelson fez uma experiência para detectar o éter, e foi um fracasso.

Para manter uma fidelidade incondicional ao método científico, segundo o qual qualquer teoria precisa de confirmação experimental, Einstein propôs a Teoria da Relatividade Restrita, de acordo com a qual o éter não existe, e que o espaço é vazio, já que a experiência de Michelson não conseguiu detectar a existência do éter.

Mas suponha-se que o éter exista, apesar de que a experiência não foi capaz de detectá-lo. Nesse caso o éter deve ter influência nos processos pelos quais os fenômenos ocorrem. Portanto é claro que a teoria de Einstein não poderia estar correta, pois ele deixou de considerar em sua teoria uma sustância (éter) que participa dos mecanismos doa fenômenos. E certamente no futuro a deficiência da Teoria de Relatividade haveria de ser detectada por novas experiências. Tais experiências do "futuro" começaram a aparecer no final do Século 20, no início da década de 90.

Assim, no campo da Física, a primeira ruptura na comunidade científica se deu dentro do próprio âmbito acadêmico das universidades, porque os físicos quânticos trabalham com teorias que consideram o espaço preenchido por um éter, enquanto que os físicos relativistas trabalham com a teoria einsteiniana que exige que o éter não exista. Para disfarçar a ruptura, os físicos quânticos evitam de confessar que as teorias com que trabalham considere a existência do éter, e por isso dão outro nome ao éter, chamando-no de "vácuo quântico". Como a palavra "vácuo" sugere algo vazio, é dessa forma que os físicos resolvem o problema, chamando o éter de "vácuo quântico", para evitar um atrito com os relativistas que asseveram que o espaço seja vazio. Trata-se apenas de uma maneira hipócrita de disfarçar a ruptura.

A segunda ruptura se deu fora das universidades, porque o método científico no Século 20 sofreu uma degeneração. Isto aconteceu porque Werner Heisenberg, um dos criadores da Física Quântica, convenceu a comunidade acadêmica de que certas experiências tinham que ser rejeitadas, pois os resultados de tais experiências contrariam os princípios sob os quais a Física Quântica foi desenvolvida.

Das experiências que foram rejeitadas, algumas eram com respeito ao nêutron. O decaimento dos núcleos radioativos mostrava que o elétron existe dentro de tais núcleos, pois quando o núcleo decai o elétron sai de lá de dentro. A comunidade acadêmica apoiou a proposta de Heinsenberg de REJEITAR essa evidência experimental (negaram-se a considerá-lo como prova de que o nêutron possa ser constituído por um próton e um elétron, porque várias propriedades do nêutron eram incompatíveis com um modelo de nêutron formado por um próton e um elétron). Por isso o físico japonês Yukawa propôs em 1945 um modelo de nêutron formado por um próton e um meson. Este modelo de nêutron foi considerado confirmado em 1949 (experiências feitas por Cézar Lates confirmaram que realmente existe o meson previsto na teoria de Yukawa).

Mas uma pequena parte da comunidade científica não aceitou a proposta de Heisenberg de rejeitar os resultados de certas experiências, em particular as experiências que sugeriam que o nêutron seja composto de um próton e um elétron.  Por esse motivo alguns físicos começaram a realizar outras experiências, com o objetivo de obter mais provas de que o nêutron seja realmente composto de um próton e um elétron.

Entre 1970 e 1980 o físico italiano Don Borghi realizou em Recife (Brasil) uma experiência que demonstra definitivamente que a estrutura do nêutron é realmente formada por um próton e um elétron.

Em 1989 os físicos americanos Pons e Fleishmann descobriram a fusão fria. Por se tratar de um fenômeno que contraria os princípios da Física Quântica, os físicos acadêmicos não aceitaram os resultados experimentais. Em seguida, tais físicos deflagraram uma cruzada contra a fusão fria, realizando experiências nas quais os resultados eram adulterados, com o objetivo de desacreditar a fusão fria (da mesma forma que alguns materialistas realizam experiências fraudulentas no campo da paranormalidade, com o objetivo de desacreditar as experiências paranormais).

Em 1999 o físico italiano Elio Conte fez na Itália outra experiência diferente daquela realizada por Don Borghi no Brasil, e mais uma vez confirmou que a estrutura do nêutron é composta de um próton e um elétron.

Atualmente as experiências com fusão fria estão sendo repetidas com êxito em várias partes do mundo. Mas a comunidade científica acadêmica continua rejeitando as experiências.

Outro campo de pesquisa (que as universidades se recusam a financiar) é o chamado New Energy (Nova Energia). São pesquisas que tentam explorar comercialmente a energia obtida por processos que, segundo a Física Quântica, não podem ser obtidos. Mas muitos resultados positivos já tem sido obtidos.

A grande esperança dos físicos acadêmicos é que o modelo vigente de nêutron, proposto por Yukawa, seja confirmado por uma experiência que deverá detectar o boson de Higgs, a ser feita em um acelerador de partículas que ficará pronto em 2005. Se a experiência for um fracasso e o boson de Higgs não for detectado, os físicos teóricos ficarão desacreditados, já que verbas descomunais estão sendo gastas nesse acelerador.

Por outro lado, é de se esperar que estejamos na eminência de ver um resultado prático da fusão fria. Isto é, que algum grupo já comece a construir algum reator de fusão fria em escala comercial, para vender a energia que se produz através do processo, e que será uma energia cerca de 3 vezes mais barata que a energia elétrica. Se a energia da fusão fria começar a ser comercializada, os físicos acadêmicos não poderão mais negar que a fusão fria existe.

Esta é a situação atual, e desfechos dramáticos (para os acadêmicos) deverão ocorrer dentro dos próximos anos.

SóCultura - Muitos povos antigos desenvolveram um grande Saber em relação as Leis da Natureza e ao Universo, sem a utilização de qualquer tecnologia material. Parte desse conhecimento de outrora foi confirmado a duras penas pela ciência moderna desenvolvida nos últimos séculos. Na sua opinião, o que os povos antigos tinham que a humanidade atual não tem? Alguma coisa teria sido perdida, o que nos tornou mais “broncos” em relação aos nossos antepassados?

Guglinski - O conhecimento "oficial" da cultura ocidental moderna foi obtido através do método científico.

Como já expliquei antes, a comunidade científica atualmente está dividida.

A comunidade acadêmica defende o ponto de vista de que no Universo só exista matéria.

Pesquisar cientificamente a matéria é de certa forma cômodo, porque podemos submeter a matéria a todo tipo de experiências, com o objetivo de  descobrirmos as suas propriedades e as leis a que ela se submete.

Admitir que haja alguma outra manifestação além da matéria é desconfortável porque os cientistas não sabem como teriam que lidar com tal tipo de manifestação através do método científico.  Como fazer experiências com algo que não podemos manipular como manipulamos a matéria?

Mas se há algo além da matéria, como as últimas investigações feitas (pela comunidade científica dissidente) estão indicando, então é claro que o conhecimento que a comunidade materialista obteve é apenas parcial, e o método científico atual é deficiente.

As culturas antigas não estavam atreladas ao método científico, e por isso chegaram a conclusões por uma via diferente.

Mas qualquer conhecimento de uma cultura antiga só é reconhecido atualmente quando tal conhecimento é confirmado pelo método científico. Ou seja, o conhecimento adquirido por tais culturas antigas não é aceito, a não ser que ele venha a ser confirmado pela pesquisa científica.

E o interessante que observei é que os esotéricos, que defendem o conhecimento das culturas antigas, fazem grande alarde quando tal conhecimento é confirmado pela ciência. Pois os esotéricos podem, assim, ostentar que tal conhecimento esotérico teve confirmação científica.

Depois que eu cheguei à conclusão de que a Teoria Quântica está errada, eu tentei obter a atenção de cientistas que defendem o ponto de vista esotérico, para lhes chamar a atenção para tal fato.

Do ponto de vista holístico, o fato da Física Quântica estar errada é muito vantajoso para os espiritualistas. Isso porque o que a Física Quântica fornece aos espiritualistas é uma visão materialista, já que ela é uma teoria da matéria. O ponto de vista defendido pelos espiritualistas que usam a Física Quântica é o de que o espírito seja um produto da matéria, e esse é um ponto de vista materialista. O que eles defendem é portanto um pseudo-espiritualismo materialista.

Por outro lado, se a Física Quântica estiver errada, teremos que adotar o ponto de vista de que a matéria não é única no Universo, e esta é o verdadeiro ponto de vista espiritualista, pois dessa forma a matéria passa a ser uma simples forma manipulada pelo espírito. O materialista acha o contrário, que o espírito é uma manifestação da matéria.

Infelizmente não consegui a simpatia dos esotéricos que defendem a Física Quântica, e vou explicar por quê.

Primeiro porque eles usam a Física Quântica como base de sustentação dos argumentos esotéricos, pois afirmam que a Teoria Quântica confirma os conceitos esotéricos. Ou seja, tendo o apoio da Física Quântica, eles estão com o apoio da ciência para defenderem o conhecimento esotérico. Portanto o que os esotéricos menos querem é que a Física Quântica fique sob suspeita, porque dessa forma perderiam o respaldo científico para as teses esotéricas que defendem.

Por outro lado, os cientistas que exploram seus conhecimentos de Física Quântica (para estabelecerem paralelos entre a ciência e o esoterismo) tem um retorno financeiro substancial, pois publicam livros, promovem palestras, e gozam de grande prestígio. Então é natural que tais cientistas não acolham com simpatia a possibilidade de que a Física Quântica possa estar errada, pois o fracasso da Física Quântica implicaria em prejuízo para o bolso de tais cientistas. Por isso é que Fritjof Capra nunca aborda a questão da fusão fria, apesar de que inúmeras experiências já tenham confirmado a realidade da fusão fria. Como a fusão fria implica no colapso da Física Quântica, é claro que esse novo campo da ciência é uma pedra no sapato de Fritjof Capra.

SóCultura - E como está se comportando a Mídia com esses paralelos que são feitos entre a Física e o esoterismo?

Guglinski - A mídia também lucra com esse paralelo que se estabeleceu entre a Física Quântica e a cultura esotérica. Por exemplo, a revista Planeta publica freqüentemente entrevistas com tais cientistas, e publica também diversos artigos para esclarecer o leitor sobre a ponte que se estabeleceu entre a ciência e o esoterismo via Física Quântica. Portanto a tais revistas também tampouco interessa o colapso da Física Quântica.

A revista científica Frontier Perspectives, da universidade de Temple, e o Journal of Scientific Exploration, também exploram a Física Quântica, pois os artigos que ali são publicados usam os conceitos da Teoria Quântica para explicar as novas descobertas na fronteira da ciência. Por esse motivo ambas revistas se recusaram a publicar meus artigos, pois a queda da Física Quântica tampouco interessa aos cientistas que integram o corpo das duas revistas, já que eles precisam da Teoria Quântica para explicar fenômenos de paranormalidade, poder da mente, etc. 

Há dois anos atrás eu informei à revista Planeta que a experiência de Conte e a de Borghi desfecham um golpe mortal sobre os conceitos da Física Quântica. Eu esperava que a revista informasse os seus leitores sobre a existência dessas duas experiências que derrubam a Física Quântica, pois ingenuamente eu acreditava que a revista tivesse o compromisso de informar a verdade aos leitores. Mas a revista simplesmente ignorou minha informação, e não deu ao leitor o direito de saber o que estava a acontecer no campo da ciência. Cheguei a entrar com uma interpelação judicial contra a revista, mas que deu em nada.  Escrevi também para Fritjof Capra, solicitando-lhe sua opinião sobre o resultado das duas experiências. Ele nunca respondeu. Escrevi-lhe ameaçando processá-lo, por estar ele escondendo a verdade dos leitores que lêem seus livros, pois se duas experiências derrubam a ponte que ele estabeleceu entre a Física Quântica e o esoterismo, cabe a ele informar ao leitor de que a ponte está caindo. Mas é claro que era muita ingenuidade de minha parte esperar que Fritjof Capra matasse a galinha dos ovos de ouro. 

Acredito também que a ciência irá comprovar muito do conhecimento antigo, mas não da forma como se acredita que isso tenha acontecido pela via da Física Quântica.  Será de uma forma muito mais profunda. A Física Quântica é uma teoria da matéria. Estabelecer vínculos entre a Teoria Quântica e o espiritualismo é desvirtuar esse último, rebaixando-o ao nível de um pseudo-espiritualismo que em essência é materialista.

 

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