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Quando recuamos no tempo,
pesquisando a origem do capitalismo, dois enfoques têm sido
usualmente apresentados pelos pesquisadores. Há os que
seguem pela via da análise da atividade econômica,
desde o simples escambo, das trocas de coisas por outras coisas,
até a complexidade econômica de nossos dias.
Outros, seguindo por direção diversa, procuram
explicar a evolução do capitalismo, como
resultante da cisão ocorrida na Igreja com a Reforma
Protestante, que liberou os seres humanos para a atividade
econômica desvinculada da tutela dogmática,
surgindo a partir daí a gênese do moderno
capitalismo, como forma de estabelecer a produção
e circulação das mercadorias e
serviços para o atendimento das necessidades humanas.
Alguns
pesquisadores se esforçam por mostrar uma Igreja
hegemônica, que exercia amplo controle das atividades
humanas, tolhendo as iniciativas pioneiras no sentido de uma ousada
procura de outros significados que não os propostos,
sistemática e impositivamente, como a verdade dita
única e permanentemente inalterável.
Assim,
a ruptura com os cânones da Igreja possibilitou o surgimento
de uma nova casta preocupada em desempenhar um novo papel na atividade
econômica que, ao lado da organização
da produção e
comercialização dos bens, tinha também
por objetivo o ganho do empresário, do investidor.
Iniciou-se um novo ciclo de conflitos e desavenças entre os
que condenavam as novas formas de organizar a
produção e o comércio e a nova classe
de empreendedores, estando a religião no cerne dos conflitos.
Contudo,
a capacidade de produção foi sendo enormemente
ampliada. A possibilidade de ganhos crescentes e cumulativos deslocou o
eixo do poder das propriedades para o potencial da riqueza financeira.
A
luta pelo poder e a sede por lucros crescentes, provocaram amplos
desequilíbrios. Tudo o que reduzia o lucro foi sendo
submetido a mudanças com o propósito de gerar
mais lucros, sem preocupações com as
conseqüências econômicas e sociais ou
ambientais. Contudo foi alcançado um grande desenvolvimento
material e da indústria do entretenimento.
A
Igreja perdeu a sua hegemonia, embora mantenha ainda expressiva
participação no mundo ocidental. A
população, porém, não se
preocupa muito, e se vai acomodando à filosofia de vida
concebida pelo capitalismo, cujos elementos básicos
são a educação para o trabalho
oferecido pelas empresas e o consumismo como o grande ideal da vida.
Mas o grande impasse é a crescente exclusão do
trabalho e do consumo. Pode ser que alguma
redução no tamanho dessa exclusão
venha ser alcançada, mas os seres humanos ainda
não encontraram o caminho alegre para a
evolução em sua plenitude, e continuam distantes
do verdadeiro sentido da vida. Quando isso vier a ocorrer,
estarão mais próximos do reconhecimento das leis
da Criação, e, se aprenderem a
respeitá-las, tudo que o ser humano construir
será melhor e mais duradouro, porque respeitar as leis da
Criação é respeitar a Vontade de Deus.
Mas
atualmente impera a "lei da selva", os mais fortes tirando proveito dos
mais fracos. A grande capacidade produtiva atingida pelos
grandes conglomerados, em parte ociosa, precisa de vazão. Os
pequenos são devorados. Elimina-se a concorrência
através das grandes fusões, que por sua vez
reduzem os custos. Os que perdem o emprego porém ficam
marginalizados. São excluídos do mercado.
O
Planeta inteiro se transforma num grande mercado em que os capitais
vagam livremente em busca da melhor taxa de juros, do menor
salário, dos melhores incentivos fiscais. Enfim o ganho
é o que interessa. Se os consumidores diminuem, ajusta-se o
preço, para isso a concorrência vai sendo
eliminada.
"As
grandes corporações representam um enorme perigo
para o Estado Democrático. Através da crescente
concentração de empresas surge um violento
potencial de poder, para além do parlamento e do governo, e
sem nenhuma legitimidade democrática. As
corporações têm uma
posição forte o bastante para impor seus
objetivos à política e às pequenas
empresas." (Em "As dez mentiras da Globalização",
Edit. Aquariana, G. Boxberger e H. Klimenta).
Mas
não deveria ser assim. As grandes
corporações, promotoras das doutrinas da
redução da interferência estatal
dominada por vícios e descaminhos, deverão
assumir seu papel na condução das
relações humanas sob um prisma mais elevado,
promovendo um aprimoramento educacional e cultural da
população, pois do jeito como estamos caminhando,
estamos perdendo a essência da humanidade, cedendo lugar a um
grupo homogêneo de acomodados consumidores. A
relação entre as grandes
corporações e os consumidores não
difere muito daquelas entre os aristocratas e seus servos ou escravos.
O ser humano não nasceu para ser um mero consumidor.
Finalidades mais nobres fazem parte da vida, tais como evoluir em paz e
alegria, criando beleza em tudo que fizer, para que o Planeta seja uma
verdadeira pátria de seres humanos em busca de sua
evolução, não um supermercado de
apáticos e revoltados consumidores.
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