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 Espiritualidade
Considerações sobre Energia, Espaço, Tempo e Matéria

 Por Fernando Ribeiro dos Santos

A ciência e a religião terão necessariamente um caminho harmônico para explicar a realidade que nos cerca aqui na Terra. Como seres espirituais que somos, temos obrigação de buscar uma elucidação plena, porém com a máxima humildade. Para isso é necessário eliminar os dogmas religiosos e científicos.

O que é Espírito?

Atualmente a palavra "espírito" traz para a maioria das pessoas uma idéia de algo obscuro e de conteúdo duvidoso. Isso é um erro, pois o seu real significado é simples e perfeitamente compreensível. Somente através do entendimento certo do que é espírito poderemos ter uma visão verdadeira dos fatos que nos cercam.

Os filósofos freqüentemente explicam que espírito é “inteligência”. Historicamente eles sempre apresentaram uma versão materialista e outra espiritualista da última realidade humana. Em suas investigações, denominaram “metafísica” o campo de estudos que não pode ser diretamente relacionado à parte física da matéria.

Atualmente o conceito de muitas palavras varia enormemente. Isso dificulta em muito o entendimento entre os seres humanos, mesmo quando pertencentes a um mesmo idioma. Na maioria dos dicionários as palavras “inteligência” e “mente” são definidas como ligadas ao cérebro e à razão. Por outro lado, em outros, como nos dicionários de filosofia, estas mesmas palavras também são conceituadas como sendo alma ou espírito. A palavra alemã “Geist” é traduzida para o português como sendo espírito e intelecto, ou seja há uma ambigüidade no seu conceito. Já em inglês a palavra “ghost”, que derivou da mesma raiz alemã, significa fantasma ou espírito apenas.

O filósofo Sócrates, que viveu aproximadamente 400 anos antes de Cristo, afirmou que tudo que é adaptado a um fim é efeito de uma inteligência. Podemos observar animais se adaptando a várias situações na natureza. Como um exemplo, o cavalo marinho se adapta ao seu meio ambiente para proteção. Ele muda a cor de sua pele de acordo com a coloração e a textura dos objetos que o cercam a fim de camuflar-se, e isso só podemos atribuir a uma inteligência superior, pois esse saber obviamente não está no próprio cavalo marinho.

Há portanto essa ambigüidade quanto ao entendimento da palavra inteligência. O raciocínio humano, aplicado em algum objeto manufaturado por exemplo, também se mostra como efeito de uma inteligência, que não está no próprio objeto. Já a palavra “raciocínio” está exclusivamente ligada ao cérebro.

O filósofo Auguste Comte (1798-1857) fundou o positivismo. Ele apresentou um princípio básico radical segundo o qual não se pode conhecer senão os fenômenos sensíveis e suas leis. Que toda especulação metafísica é obra da imaginação, pois o único objeto da razão são os fatos observáveis e mensuráveis. Ou seja, a ciência deve ser objetiva como a matemática e a física, livre de pressupostos ideológicos, sejam eles filosóficos ou religiosos.

Em decorrência dessas idéias positivistas, e outras semelhantes, os materialistas igualaram a palavra espírito à inteligência cerebral humana, para negarem algo que não podiam medir nas observações ditas “científicas”. A ciência é hoje dominada por uma maioria de materialistas o que impede o desenvolvimento e a descoberta de muitas outras verdades que estão no campo da metafísica. Aliás, esse processo, preso apenas ao que se vê com os olhos do corpo material, ou com o auxílio de instrumentos, limita completamente o desenvolvimento da ciência e do conhecimento humano.

Cada vez mais os cientistas se defrontam com conflitos, paradoxos e enigmas indecifráveis, levando seu pseudosaber a um emaranhado de conclusões contraditórias. Sua grande parte está literalmente perdida, presa a dogmas da ciência. O intelecto se apoderou da enorme maioria dos seres humanos, amordaçando seus espíritos, e toda a sua capacidade é usada preponderantemente para o mal.

Sócrates ensinava a seus discípulos que cuidar de sua própria alma seria a principal tarefa de cada um. Ele ofereceu resposta a perguntas fundamentais sobre a realidade última do homem. Podemos ler na Apologia, escrita por Platão, o seguinte:

"(...) é a ordem de Deus e estou persuadido de que não há para vós maior bem na cidade que esta minha obediência a Deus. Na verdade, não é outra coisa o que faço nestas minhas andanças a não ser persuadir a vós, jovens e velhos, de que não deveis cuidar só do corpo, nem exclusivamente das riquezas, e nem de qualquer outra coisa antes e mais fortemente que da alma, de modo que ela se aperfeiçoe sempre, pois não é do acúmulo de riquezas que nasce a virtude, mas do aperfeiçoamento da alma é que nascem as riquezas e tudo o que mais importa ao homem (...)”.

René Descartes (1596-1650) desenvolveu sua teoria do conhecimento, partindo da célebre frase “Penso, logo existo”. Ele mostrou um dualismo cartesiano que consiste na separação entre mente e matéria em duas substâncias diferentes em contínua interação, onde a mente faria parte do âmbito metafísico.

A visão dos filósofos espiritualistas contemplam o lado não material como sendo o mais importante e verdadeiro. Henry Bergson (1859–1941) foi uma das grandes influências intelectuais no início do século XX. Em seus estudos ele deu primazia ao espírito, porém na presença do corpo e na existência da matéria. Sua doutrina definiu uma inteligência cerebral da razão, ou seja o próprio intelecto, a influência do instinto e uma outra nobre capacidade do espírito humano, a intuição, que já vem pronta, sem que haja necessidade do pensar. Bergson foi um dos maiores filósofos espiritualistas e combateu o positivismo fundado por Auguste Comte.

Para os que abraçaram a filosofia espiritualista, a inteligência não é necessariamente algo proveniente do raciocínio, e o espírito humano, sede da autoconsciência, está em contato direto com as esferas mais elevadas da Criação através da intuição. Segundo essa visão, espírito é a parte invisível, que anima o corpo humano terreno, existindo mesmo após a morte, com identidade própria e autoconsciência.

O conceito de espírito, entretanto, é ainda mais amplo, abrangendo também o que a ciência identifica como “energia”.

 

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CONTINUAÇÃO

Energia, Espaço, Movimento e Tempo

Causa, Efeito, Livre Arbítrio

Inércia, Gravidade e Relatividade

Ser Humano, espírito humano

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