Aproveite
a nossa parceria com as livrarias Siciliano e Cultura e receba em
casa os melhores livros selecionados pela nossa equipe
Espiritualidade
Considerações sobre Energia, Espaço,
Tempo e Matéria
Por
Fernando Ribeiro dos Santos
Energia, Espaço, Movimento e Tempo
"Energia" é também espírito. A energia conhecida
por nós na matéria é um efeito de irradiações provenientes do plano
Espiritual. Após o surgimento da Criação, irradiações se afastaram
do plano Espiritual de forma que, longe da fonte original, se
manifestaram também nas matérias que estão muito mais abaixo. Seu
último sedimento é a matéria grosseira em que vivemos. Ela se
apresenta como movimento, calor e vida, se é que se pode falar em
vida real na matéria. Sem auxílios superiores, a materialidade não
poderia ser incandescida com calor e vida, que provêm na realidade
de esferas altíssimas da Criação.
A energia observada
pelos estudos da física e da química é, pois, uma forma especial da
força espiritual, que abrange muitas gradações.
Movimento é a
conseqüência natural de energias irradiantes em ação. Portanto, onde
existir movimento, houve antes uma energia propulsora proveniente de
uma vontade e sua conseqüente ação. A natureza com sua força vital são
efeitos de uma vontade superior que se tornou ação nas materialidades.
Como conseqüência
disso um espaço delimitado foi criado. Nele, tudo está em movimento,
pois a ação dessa vontade é a própria irradiação que se desdobra em
movimentos. Através da observação do movimento é que o tempo é
percebido.
O tempo deve ser
entendido como uma grandeza perceptível mediante um movimento e não
como se o tempo passasse. A percepção do tempo está sempre associada
ao movimento. Por exemplo com o movimento dos ponteiros do relógio
percebemos nossa passagem dentro do tempo. A definição de tempo dada
por Albert Einstein (1879-1955) é de que o tempo é o que podemos medir
com um relógio. E o relógio nada mais é do que um movimento de uma
determinada intensidade que levamos preso ao pulso.
Velocidade é o grau
de intensidade do movimento pelo qual uma distância é percorrida.
Podemos medir a velocidade com uma unidade qualquer de distância
percorrida, dividida pelo tempo decorrido. A unidade comumente adotada
para medir distâncias é o metro. Porém o metro, na sua mais
fundamental definição, é cerca de 1/300.000.000 da distância
percorrida pela luz no vácuo em um segundo, ou seja a unidade metro é
uma referência da intensidade de uma fração do movimento da luz no
vácuo usada como padrão. O grau de intensidade do movimento é
percebido como sendo o escoamento de um tempo maior ou menor, mas o
tempo só é percebido através da movimentação.
O reino das
materialidades é constituído por várias espécies diferentes, que não
se misturam entre si. Simplificadamente, podemos distinguir duas
espécies de matérias, a saber: a matéria grosseira e a matéria fina.
Além desse reino material e acima dele há o reino espiritual, de onde
provém o nosso espírito humano. Reunidos esses três planos, podemos
dizer que o ser humano terreno é constituído de três corpos distintos:
um corpo espiritual, um corpo de matéria fina e um corpo material
grosseiro.
Nos vários planos
que constituem a Criação, temos espaços-tempo diferentes e,
conseqüentemente, podemos ter percepções distintas do tempo de cada
plano, na medida em que nos concentramos em assuntos mais materiais ou
mais espirituais. Ao contrário do que se costuma dizer: “o tempo
passou”, nós é que nos movemos no espaço-tempo de cada plano
existente.
Na matéria grosseira, o tempo padrão pelo qual nos
referimos diariamente para ir ao trabalho, marcar encontros, dormir,
acordar, etc. é o percebido pelo movimento da Terra em torno do Sol, o
qual, para fins práticos, medimos pelo relógio comum. Há uma outra
percepção de tempo, que é o tempo subjetivo que podemos experimentar
em certas situações comuns a todos nós. Esses tempos são percebidos
diferentemente porque provêm de planos diferentes, apesar de serem
fenômenos da mesma espécie.
Esse tempo material grosseiro parece não poder ser
alterado. O outro tempo observável, o tempo subjetivo, provém do nosso
íntimo. Esse tempo é causado por nós mesmos quando nos movimentamos
espiritualmente e aplicamos nossa vontade concentrada em alguma
direção. Essa percepção é de âmbito mais fino e depende da intensidade
das vivências do espírito humano.
O tempo do nosso
corpo e das coisas que nos cercam é o tempo do âmbito da natureza,
cuja existência independe da nossa vontade. A percepção desse tempo
grosso-material cessa por ocasião da morte. O espírito humano, com seu
corpo de matéria fina, continua existindo conscientemente mesmo após a
morte terrena. O núcleo espiritual, o próprio ser humano real, mais o
corpo de matéria fina, pode ser chamado de alma humana.
A percepção do tempo humano, em âmbito espiritual,
varia de pessoa a pessoa. Pode variar segundo nossa disposição íntima
a cada momento. Em certas situações podemos perceber horas em apenas
poucos minutos. Parece então que o tempo quase parou. Mas o tempo não
passa nem oscila, nós é que nos movimentamos espiritualmente maior ou
menor grau. Quando nos movimentamos espiritualmente com maior
intensidade, o tempo da natureza que nos cerca parece ser nitidamente
um outro tempo. Realmente assim é, porque, com a mudança da
intensidade do movimento espiritual e a conseqüente maior velocidade,
a referência com o tempo percebido na natureza se destaca mais
claramente. Quando lemos um livro, ou quando nos concentramos
totalmente em qualquer assunto importante, essa impressão fica mais
evidente.
As viagens pelo
tempo imaginadas por nós e visto em filmes não são possíveis como
sonham uma grande maioria. Entretanto, todos os acontecimentos do
passado ficaram registrados com todos os seus detalhes, de modo que
pelo seu acesso poderemos como que “viajar no tempo” para trás. Mas
alterar o passado viajando para uma outra dimensão e refazer o que foi
feito, é coisa impossível.
Albert Einstein foi
um cientista muito especial, dotado de uma sabedoria que ele sentia
nas pontas dos dedos. Ele intuía a solução de um fenômeno e depois
partia em busca de racionalizar e comprovar sua teoria. Devemos a ele
um enorme progresso na explicação dos fenômenos que nos cercam, apesar
de não ter alcançado uma teoria unificadora de toda a Verdade que
ainda será desvendada em futuro próximo.
Ele pensou em uma possibilidade teórica, que chamou
de “dedanken experiment”. À essa teoria chamou de “o paradoxo dos
gêmeos”, onde haveria a possibilidade de modificação do tempo da
natureza. Após sua morte, houve, em Outubro de 1971, uma experiência
prática, conduzida por J.C. Rafele e R.E. Keating, onde sua teoria foi
amplamente comprovada. A partir disso, se divulgou a concepção de que
se um de dois gêmeos viajasse a grandes velocidades, estaria mais
jovem no regresso do que o gêmeo que não viajou.
O que realmente
ocorreu nessa experiência foi que a vibração do átomo de césio, que
fornece o padrão de referência para o funcionamento do relógio
atômico, teve reduzida sua freqüência. Conseqüentemente, o relógio que
ficou em terra leu diferentemente o movimento da vibração atômica em
comparação ao relógio que se deslocou e ambos apresentaram uma
diferença de tempo.
Na experiência Rafele-Keating relógios atômicos de
césio foram colocados em jatos comerciais. Um relógio ficou em
Washington enquanto outros voaram ao redor do mundo, um em direção à
leste e outro em direção ao oeste, até completarem uma volta e
retornarem ao ponto de origem. Na volta, o que voou à leste perdeu 59
nanosegundos e o que voou ao oeste ganhou 273 nanosegundos em relação
ao que ficou estacionado em Washington.
Para o entendimento
completo dessa experiência devemos levar em conta dois componentes
distintos. Um está ligado ao potencial gravitacional, porque ao voar
quilômetros acima do nível do mar, os aviões aumentam em parte a
freqüência emitida pelo césio. Contrariamente, o efeito cinético reduz
essa mesma freqüência, sobrepondo àquela causada pelo efeito
gravitacional.
Pelo efeito da
rotação da Terra, que se move em direção à leste numa velocidade de
470 metros por segundo, os aviões, movendo-se dentro da atmosfera,
acompanham essa mesma rotação. O fenômeno precisa ser analisado
levando-se em conta que um dos aviões se desloca, em relação ao
relógio em Washington, com a soma de sua velocidade à da rotação da
Terra, enquanto que o outro, que vai em direção oposta, subtrai sua
velocidade à velocidade de rotação da Terra. Conseqüentemente, o que
caminhou para leste se atrasou, porque o que mais pesou foi a
velocidade da rotação da Terra, a qual é muito maior que a velocidade
dos jatos. Com relação a essas velocidades diferentes, devemos levar
em conta o efeito cinético causado nos átomos de césio dos relógios.
A física afirma que quando um corpo é acelerado sua
massa aumenta; por conseguinte, átomos movendo-se a grandes
velocidades devem possuir elétrons mais massivos. Quando se calcula a
massa do elétron usando-se fórmulas tradicionais, obtém-se como
resultado uma massa maior, porque de acordo com a aplicação da equação
de Bohr, átomos formados com elétrons mais pesados devem emitir
radiações eletromagnéticas com níveis de freqüência maiores.
Entretanto, isso não écompatível com a menor freqüência
observada na desintegração de múons a altas velocidades.
Sabemos, de observações experimentais, que partículas em altas
velocidades se desintegram com níveis de freqüência menores.
Isso foi claramente observado com os múons em experimentos
espectroscópicos. O Dr. Paul Marmet, professor de física da
Universidade de Ottawa, que estudou matematicamente esse assunto,
demonstra em seu livro novas fórmulas ajustadas com o fator
até então ignorado, ou seja a constante de Plank, de forma que os
cálculos passam a coincidir com as observações práticas.
Para esclarecer o
componente gravitacional desse fenômeno, vamos descrever sumariamente
a experiência de Pound & Snider, feita na torre da Universidade de
Harvard em 1965, quando foi comprovado o experimento de Pound & Rebka.
Um átomo de Fe57 foi medido por um spectroscópio
Mossbauer, no topo e na base da torre. Os raios gama emitidos pelo
Fe57 apresentaram diferentes “desvios para o vermelho”* quando
expostos ao potencial gravitacional existente no topo e na base da
torre. Observou-se que a massa desse mesmo átomo é menor na base da
torre quando comparado à medida no topo da torre. O elétron desse
átomo, quando localizado na base da torre, tem um raio Bohr** maior do
que quando medido no topo da torre a 22,5 metros acima. Ficou patente
que os fótons emitidos na base da torre apresentam um comprimento de
onda mais longo, ou seja, o Fe57 tem menor massa quando está na
base da torre.
O relógio atômico, quando acelerado a uma grande
velocidade, cronometrou um tempo diferente, como se este tivesse
passado mais devagar, porque o elétron do átomo de césio, que dá a
precisão ao relógio, aumentou seu Bohr-radius devido ao efeito
cinético, o qual se sobrepôs ao efeito gravitacional, fazendo
com que se atrasasse um pouco com relação ao outro que ficou em terra,
quando se deslocou na direção leste. Na realidade, o fenômeno da
gravidade é um efeito do afastamento da fonte original da irradiação
de forças, e a aceleração, com o efeito inercial, produz alterações
semelhantes como já comprovado na prática. Ambos os fenômenos são da
mesma espécie, apesar de se apresentarem de forma diferente.
*Desvio para o
vermelho, ou “Doppler redshift”, é o deslocamento das linhas de um
espectro de freqüências, em direção aos maiores comprimentos de ondas.
Há também o desvio para o vermelho gravitacional, ou desvio para o
vermelho de Einstein, causado não pelo efeito Doppler, mas notado no
espectro eletromagnético pelo aumento do campo gravitacional..
** Neils Bohr radius é, por exemplo,
para o elemento Hidrogênio = 5.2717*10 –11m, ou seja, é o tamanho do
raio na órbita do elétron de qualquer elemento, dado um determinado
potencial gravitacional ou cinético.