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Espiritualidade
Considerações sobre Energia, Espaço,
Tempo e Matéria
Por
Fernando Ribeiro dos Santos
Ser humano, espírito humano
O corpo do ser
humano atual desenvolveu-se a partir da evolução de um animal
semelhante aos macacos, mas de uma estirpe toda especial. Após
milhões de anos tais animais especiais foram sendo aperfeiçoados
através do processo da seleção natural.
Quando esse corpo animal atingiu o máximo de sua
capacidade, nele se deu a primeira encarnação de um espírito humano em
desenvolvimento. O “elo perdido” de Darwing ficou assim elucidado. Os
seres humanos terrenos são completamente diferentes de todos os outros
animais por que num determinado momento de nossa existência passamos a
habitar um corpo que outrora pertenceu a uma espécie altamente
desenvolvida de nobres animais. Nesse longo período de milhões de anos
surgiu primeiramente a consciência, e depois a autoconsciência. O
sentimento do “eu” é a autoconsciência espiritual, por nós percebida
em nosso corpo material.
Nosso cérebro
centraliza a percepção de todos os cinco sentidos. A percepção
sensível é nele armazenada, registrando tudo o que foi aprendido.
O chamado sexto sentido, porém, a intuição, armazena o que foi
vivenciado. O raciocínio é, tão-somente, a capacidade de
compreensão do cérebro material.
O intelecto,
produto do cérebro material grosseiro, permite estabelecer volições.
Atualmente, o intelecto produz uma conversa exagerada conosco mesmo,
como se fosse com um companheiro invisível. Somos dois sempre a
conversar e tecer considerações sobre tudo. Pensamos em silencioso
colóquio conosco mesmos, sem parar. Não pensar é quase uma
impossibilidade enquanto estamos acordados. Não é muito difícil vermos
nas ruas pessoas andando sozinhas e balbuciando palavras, como se
conversassem seriamente com algum companheiro invisível. Somente no
sono paramos de pensar com esse cérebro de matéria grosseira.
Como se fosse uma
conversa com o melhor amigo virtual, o intelecto simula um outro eu
para conversas e avaliações sobre o que devemos ou não fazer. A nossa
intuição precisaria estar aí presente, dando a direção mais forte, mas
isso dificilmente acontece nos dias de hoje. Uma batalha constante
entre o “coração”, que é nosso espírito, e o intelecto, que reside no
cérebro anterior usurpando o controle das nossas decisões, nos domina
quase que totalmente. Isso atualmente ocorre com mais ou menos
intensidade em todas as pessoas.
Naqueles em que o
intelecto domina totalmente, a intuição já foi então enterrada e a
pessoa “dorme” espiritualmente, rumo ao sono letal da tão temida
segunda morte. Com a tecnologia no auge, a maior parte da humanidade é
composta por inteligentes e ativos seres humanos cerebrinos que dormem
ou já estão mortos espiritualmente.
Acima da nossa
origem, que é espiritual, existem outros mundos de onde só podemos
obter notícias através de imagens a nós fornecidas por seres
superiores, nunca podendo serem visitados. Há, pois, um limite
intransponível para o espírito humano desenvolvido no seu progresso
ascendente.
Nada de divino
reside no ser humano. Somente sua desmesurada presunção é que deu
origem à afirmação que seres humanos tenham alguma partícula divina.
Isso somente diminui o que é divino, e não passa de uma blasfêmia. O
divinal permanecerá eternamente inatingível para seres humanos
espirituais.
No ser humano
existe a inteligência. Esta se compõe do cérebro anterior mais o
intelecto de um lado, e o cerebelo mais a intuição de outro. Como numa
máquina, o nosso cérebro seria comparável ao “hardware” e a nossa
intuição a um “software” como já foi pensado pelo filósofo americano
Hillary Putnam. O que foi “carregado” no nascimento, trazendo
experiências obtidas em outras vidas, pode ser associado a um
software. Repetidas encarnações terão um fim e todos nós teremos uma
última encarnação aqui na Terra, para não mais voltarmos.
O cérebro é
composto de um cérebro anterior e de um cérebro posterior, o chamado
cerebelo. Nosso cérebro deveria trabalhar harmoniosamente com a
atuação do cerebelo, que é a porta da intuição, mas infelizmente ele
está atrofiado no ser humano atual. Foi forçado a isso pela falsa
vontade humana, e após milênios sofreu uma grande redução devido a
inoperância. O ser humano é um ser aleijado de cérebro, como o próprio
nome desse importante órgão indica: “cerebelo”. Aqui fica elucidado o
processo do pecado hereditário, pois essa condição atrofiada passou a
ser transferida de pai para filho.
O intelecto tem
acesso ao banco de dados existente no nosso cérebro. Essa memória
desaparece por completo com a desintegração na morte terrena. Contudo,
as experiências vividas continuam sendo nossa propriedade mesmo após a
morte. São, portanto, o extrato de tudo que foi adquirido em nossa
vida atual, o lucro oriundo das vivências na Terra. Isso continua a
fazer parte da nossa autoconsciência.
Através da
sedimentação dessas vivências vamos ampliando o nosso saber. Isso
desenvolve nossa intuição, que é a capacidade de compreender sem
raciocinar. Ela é, portanto, uma capacidade maior, que pertence ao
âmago do ser humano e reside no nosso espírito. O que foi aprendido,
simplesmente memorizado no “hardware” ou cérebro material grosseiro,
não vivenciado espiritualmente, desaparece para sempre com a morte
terrena.
Mesmo após a morte
terrena, na outra parte material ainda invisível, no chamado além,
temos outro cérebro que continua carregado com todas as informações
vivenciais. Conforme já mencionado, somos constituídos basicamente de
três corpos: o espiritual, o fino material e o material grosseiro, que
estão encaixados magneticamente um no outro.
Os cérebros são órgãos intermediários. Como
transformadores, são utilizados entre as diferentes espécies de
matéria, tanto para receber e retransmitir o que vem de cima como para
enviar de volta o que vem de baixo. Nesse processo é que vamos
colhendo as vivências, de tal forma que o extrato passa a fazer parte
cada vez mais nitidamente da autoconsciência, a qual se consolida no
núcleo propriamente dito, que é o nosso corpo humano espiritual
desenvolvido.
Na esfera espiritual, quando para lá pudermos
adentrar despidos de qualquer resquício de matéria, o nosso eu real
estará completo e atuando instantaneamente. Lá, as vontades se tornam
de imediato em ações, com forma, cor e som.