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Espiritualidade
Carma
Por Fernando Ribeiro dos
Santos
Carma
é a força gerada pelas ações de cada um de nós que infalivelmente
volta, nesta ou em outra encarnação, carregada da mesma espécie, a fim
de poder ser remida. É simplesmente a mesma conhecida lei de que em se
semeando haveremos de colher a mesma espécie multiplicadamente. Essa
lei está inserida na natureza, automaticamente, e não reflete somente
nas plantações e colheitas, mas também em todo o atuar dos seres
humanos, seja provenientes de ações de boa ou má vontade. Cada um
terá, em sua futura circunstância aqui na Terra ou no Além, de
saborear o que foi semeado outrora, como algo de bom ou mal.
Para que não hajam equívocos deve-se ter em mente
que existe, para cada ser humano, somente ações de livre vontade.
Coincidências ou azares não existem. A palavra árabe “Al Zahar” que
originou o termo azar em português significa, em seu conceito
original, um acontecimento sem causa conhecida. A causa sempre existe
por que o universo inteiro é causal. Coincidências, como as
introduzidas pelo homem nas roletas e loterias, jamais podem ser
inseridas para modificar ações humanas. O pré-determinismo, ou seja, o
próprio Carma, nada mais é do que a conseqüência de nossos próprios
atos do passado.
Entretanto, uma
enorme maioria não vê essa simples lógica. Tão evidente que ninguém
espera obter milho plantando soja, porém buscam negar tal entendimento
através de falsa lógica. Em geral argumentam que, se isso fosse
verdade, uma pessoa que faça mal a outra irá receber a mesma espécie
de mal e consequentemente esse mal nunca poderia ser extinto, porque
cada mal geraria outro indefinidamente.
O que esta faltando
nesse falso raciocínio é um conhecimento mais amplo das Leis
fundamentais da Criação. As Leis da Reciprocidade, da Atração dos
Homólogos e da Gravidade Espiritual subordinam irresistivelmente os
fenômenos do tão temido Carma.
Na realidade, existe uma só Lei que, na efetivação,
parece decompor-se em três Leis distintas. A Lei da reciprocidade é a
base do que se observa no Carma. Isso está presente também na física,
onde uma ação corresponde a uma reação de mesma intensidade, porém em
sentido contrário. Se alguém fizer o bem colherá o bem, se fizer o mal
colherá o mal.
Porém, existe entrelaçado aí outros efeitos, como o
da atração dos homólogos e da gravidade, inseridos simultaneamente e
de forma viva.
Por atração de homólogos devemos entender a atração
de uma espécie completa por outra espécie completa. Não pode ser
confundida com a atração de partes de uma mesma espécie. Podemos, para
melhor exemplificar isso, observar o que ocorre com um ímã ou magneto
comum. Seus pólos, de mesmo sinal, se repulsam quando aproximados ou
se atraem quando a polaridade for invertida. Trata-se aí de um desejo
de ligação, mas não de uma atração de homólogos. Semelhantemente
existe o forte desejo de ligação entre sexos opostos e uma repulsa
natural entre sexos iguais.
Um homólogo é, portanto, uma espécie completa que
atrai pessoas umas às outras como, por exemplo, a sinceridade, a
bondade, a honestidade, a pureza, o heroísmo etc.. Da mesma forma
pessoas podem se atrair através da violência, do ódio, da mentira,
inveja, lascívia, etc. Essa lei explica porque recebemos a mesma
espécie que plantamos com nossas ações multiplicadamente. No decorrer
do percurso de uma ação inicial, essa lei permite que forças da mesma
espécie sejam atraídas, de forma que no seu retorno ela volta com seu
conteúdo reforçado multiplicadamente.
Por ação da
gravidade devemos entender o afastamento do espírito humano do que é
excelso. A gravidade que reponde pelo nosso peso na superfície da
Terra é apenas um efeito parcial e colateral desse afastamento.
Entretanto, a nossa gravidade espiritual e anímica é fundamental para
explicar o mecanismo do Carma.
Como um exemplo
prático dessa lei espiritual podemos fazer uma analogia com um
mergulhador e seu equipamento de mergulho. Quando ele está no fundo do
mar, digamos a uns 20 ou 30 metros abaixo da superfície, observa o
novo ambiente exatamente como se estivesse em terra firme. O solo do
oceano passa a ser o terreno em que anda e o céu a superfície do mar
de onde vem a luz. Para quem já mergulhou com boa visibilidade, a
impressão lá do fundo, olhando-se para cima, é de estar olhando para
um outro céu, e não para a superfície do mar. Poderemos flutuar, qual
uma rolha até a superfície, caso a nossa própria densidade seja menor.
Contrariamente afundar caso a densidade for maior que o meio ambiente
aquático.
Semelhantemente,
nossa densidade anímica e espiritual busca automaticamente o grau
equivalente do meio ambiente mais fino existente, invisível aos olhos
do corpo material. Isso se transforma na suas contingências de vida
aqui na Terra. Pode ser que um pesado Carma seja em muito aliviado ou
até remido simbolicamente, caso o ser humano em questão tenha evoluído
espiritualmente. Inversamente, algo de bom não poderá surgir de seus
bons feitos do passado se um tal espírito, no meio tempo, involuiu,
tornando-se inferior e afundando pelo maior peso e densidade.
Quando falamos de
Carma merecido ou imerecido estamos deixando de considerar todos os
fatores em conjunto que ajustam adequadamente cada caso, não podendo
haver aí nenhum desvio.
Existe ainda o
efeito da influência dos astros como coadjuvantes. Um fato evidente
sobre horóscopos já deveria ter chamado a atenção dos muitos
pesquisadores desse assunto. Por que será que horóscopos funcionam
razoavelmente bem para identificar casos já ocorridos, enquanto que
para previsões futuras sua exatidão é totalmente questionável,
raramente mostrando algum acerto, mesmo aproximado? A resposta é
simples. Os astros fornecem apenas os canais para que as irradiações
de retorno escoem, permitindo que retornos se cumpram adequadamente.
Se não houver uma má ação nunca poderá haver um mau resgate, porque os
astros com irradiações desfavoráveis proporcionam apenas os canais
para tanto, sendo ineficazes se não houver nenhum conteúdo a ser
escoado. Os astros apenas dosam as épocas de efetivação do retorno
cármico, seja bom ou mal. Mesmo em se tratando de almas com carmas
pesadíssimos, os canais disponíveis para boas influências ficam
vazios. Porém, concedem pelo menos uma trégua temporária, para uma
eventual modificação da referida pessoa, ao não permitir o escoamento
dos maus retornos.
Neste ponto, os
céticos novamente vão argumentar como sendo a injustiça os muitos
acontecimentos imerecidos, causando ao próximo danos a esmo, como
parece acontecer em geral. Como poderia isso ser explicado?
Primeiramente, o ser humano não é indefeso às injustiças de seus
semelhantes. Para isso, conta com uma eficiente arma de defesa: seu
intelecto, o qual deve sempre estar subordinado à intuição espiritual.
Ele tem a obrigação de se defender com o maior cuidado e vigilância,
para não cometer erros, e isso depende exclusivamente dele. Cabe a
cada um a responsabilidade pelo adequado uso e desenvolvimento da
faculdade da intuição, não deixando tudo ao exclusivo domínio do
cérebro de raciocínio. Tudo isso deve, se não eliminar as injustiças e
ofensas por completo, pelo menos adequá-las a níveis suportáveis.
Nós próprios seremos todos julgados
automaticamente, cada um na sua hora exata, com perfeição absoluta. Um
julgamento justo, que somente as Leis automáticas da Criação poderiam
executar em sua infalível segurança e perfeição. Tomemos, então, a
máxima precaução para que quando formos atingidos pelo último dos
Juizos, não nos encontremos demasiadamente em falta. O tempo urge.
Portanto, busquemos sempre o caminho do bem, com alegria, disposição e
confiança.