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 Filosofia
A Rebeldia de Nietzshe                                                                (Friedrich Wilhelm, filósofo alemão, 1844 - 1900)

 Por Benedicto Ismael Camargo Dutra

Houve uma época na qual os filósofos e pensadores eram figuras bem conhecidas dos estudantes em geral. Havia uma visão mais ampla da cultura humana. Um certo professor de sociologia freqüentemente citava os principais filósofos em suas aulas. Dizia ele: quem lê Nietzshe não lê impune. E lá ficavam os alunos cismando o que exatamente o professor queria dizer. Nietzshe, assumiu assim uma atemorizante e demolidora imagem do caráter humano. Mas a grande diferença entre Nietzshe e muitos filósofos é que Nietzshe era anti-dogmático. Então a sua obra tinha forçosamente que assumir esse caráter demolidor de estratificações que perduravam há séculos através das religiões das quais era ardoroso crítico.

Nietzshe conheceu um cristianismo que estava 18 séculos distante das palavras originalmente proferidas por Jesus. Como tudo lhe parecesse muito estranho, teve a ousadia de depor em seus escritos o seu inconformismo com a realidade social preconceituosa da qual fazia parte. Para ele a crença não poderia implicar o suicídio da razão, nem o servilismo que mutila as capacitações do espírito.

Também não se pode deixar de perceber um certo tormento em sua vida, tormento esse causado pela escuridão espiritual em que a humanidade passou a viver após a morte de Jesus na cruz, escuridão que se foi tornando mais densa com a progressão da indolência espiritual dos seres humanos.

Contudo, incapacitado para pressentir intuitivamente a Luz da Verdade, acabou deslizando para o abismo negro do vazio, do nada, da anti-vida. Não se pode negar a sua corajosa genialidade e a crueza com que retratou o artificialismo e a falsa moral do sistema de vida produzido por aqueles que detinham o poder.

Tecendo criticas à temerosa submissão ao Estado e às religiões, rebelando-se contra autoridade e crença, tentava se aproximar dos fundamentos verdadeiros através do pensamento independente. Insatisfeito com a sociedade de aparências e rituais monótonos, lançava o seu brado de revolta investindo sobre o dogmatismo para o qual ele queria chamar a atenção e do qual ele queria ardentemente se desvencilhar para criar o homem livre no fervilhar de idéias e ideais de sua época. Porém, um genuíno idealismo deve forçosamente levar os seres humanos à percepção de que cada indivíduo tem o sagrado dever de contribuir para a construção um mundo melhor.

Mas faltava uma visão espiritualista mais abrangente da vida, inclusive aos artistas e filósofos, isto é, a busca da verdade nas leis espirituais da Criação preparando o terreno para o reconhecimento delas. Pois tanto naquela época como na atualidade, os seres humanos acorrentaram o seu pensar às restrições tempo e espaço, sem uma visão abrangente da Criação e suas leis, e tudo quanto elas oferecem para aqueles que agirem sintonizados a elas, colhendo alegria e beleza construindo beneficamente.

Assim, submetidos à restrição do intelecto, ainda não conseguimos alcançar a plena maturidade de seres humanos atuantes para os quais tudo aflui na Criação. Não alcançamos a correta vibração. Não alcançamos o júbilo da maior felicidade. Muitos filósofos pressentiam essa falta, essa lacuna, mas em sua restrição não vislumbravam o caminho simples das leis espirituais cósmicas, demonstrado claramente por Jesus através de Sua Mensagem a qual acabou sendo rebaixada, retorcida e interpretada erroneamente pelo raciocínio humano.

A busca não teve continuidade. Assim o brado de alerta dos filósofos também acabou sendo relegado a plano secundário para logo cair no esquecimento, servindo principalmente como decorativo da erudição. Ao adentrar no século 20, guerras, miséria e sofrimentos estariam a espera do displicente ser humano. Nem mesmo os filósofos perseveraram na busca. Assim mais um século foi ultrapassado sem que se abrissem os portais para a Luz da Verdade. Já o século 21 prenuncia o clímax da falta de respeito e desordem geral. Todos cometem abusos. Predominam as atitudes impulsivas e os desatinos. A agressão física ou moral é fato corriqueiro nas famílias e nas organizações públicas ou privadas. Desorientadas e sem confiança em si mesmas as criaturas humanas já não sabem mais onde ou o que buscar para minorar a sua crescente inquietação.

Abdruschin, escreveu que - o ser humano da atualidade requer uma nova apresentação da Mensagem de Jesus, adequada a esta época para que a crença se torne convicção, e a convicção só vem através de exames e análises irrestritas, o que exige vivacidade espiritual acima de tudo o mais.

“E então, quando agirdes de tal maneira segundo as leis da Criação, já estareis também com isso transformados e completamente diferentes do que éreis até agora. Sereis então seres humanos agradáveis a Deus, sereis seres humanos como sempre deveríeis ter sido, sereis seres humanos conforme a Vontade de Deus, porque vivereis Suas leis!“(Mensagem do Graal, de Abdruschin, Vol. 3, pg. 241).

 

BENEDICTO ISMAEL CAMARGO DUTRA

 

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