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O continente africano, por sua
vasta extensão, apresenta inúmeros povos diferentes, com costumes e arte
característicos. De uma maneira geral, a atividade
migratória é bastante grande dentro dessas tribos.
Os pigmeus, por exemplo,
povos caçadores, devido a freqüência de
migrações que costumam
realizar, constroem suas casas de maneira
simples, com galhos e folhas, dando pouco espaço para o
desenvolvimento da arquitetura ou das artes plásticas de uma
maneira geral.
Entretanto, a maioria desses
povos tem no pastoreio - que também exige constantes
mudanças em busca de terras melhores - sua principal
atividade. As artes plásticas, nessas
condições, ficam seriamente restritas aos
trabalhos, como decorações no corpo e aos vasos
onde, por exemplo, armazenam leite. A pintura parece ser atividade
bastante apreciada por essas tribos, realizadas em
superfícies como pedras.
O melhor exemplo desse tipo
de prática pode ser dado pelas pedras decoradas do Saara,
realizadas durante interrompidos períodos de tempo em que
povos pastores por ali passavam, muito provavelmente em seus ritos de
iniciação para a vida adulta, tema
freqüente da arte primitiva.
Entretanto, tem sido de povos
agricultores, os mais conhecidos exemplos da arte africana, como
esculturas, a princípio colecionadas por
arqueólogos e etnografistas do século XIX. A
arquitetura também pode desenvolver-se nessas
áreas. Entre os povos migratórios, a escultura
só pode ser realizada em pequena escala.
Os Ife, cuja cultura
floresceu entre os anos 1 000 e 1 500 da Era Cristã, na
região da Nigéria, eram conhecidos pelo seu
estilo de esculturas em bronze mais naturalistas (principalmente nas
representações da cabeça, uma vez que
o restante do corpo não possuía
aproximação com as
proporções reais). Existe uma
variação bastante grande dos tipos de trabalhos
encontrados nesse povo, sobretudo pela enorme quantidade de artistas
que os realizavam. Entre os séculos XII e XIV, pode ser
notada, entretanto, uma diretriz comum fornecida pela
religião e uma maior homogeneização
das obras.
O povo Benin -
também na Nigéria e também
influenciado pela cultura Ife - do século XIV ao XIX manteve
boa produção de esculturas em bronze, que foram
caminhando ao longo do tempo, de um certo naturalismo para uma
estilização cada vez maior. São
especialmente famosas suas representações
complexas e cheias de vida de seus reis e líderes, como a
cabeça de uma princesa que pode ser observada no Museu de
Londres.
Pinturas de animais
também foram freqüentes na arte africana,
representando inclusive animais já extintos, como
é freqüente nos desenhos em pedra do Saara .
Representações de leões , elefantes ,
antílopes e humanos armados para
caçá-los foram encontradas por europeus do
século XVIII e XIX. As figuras de animais encontradas no
Saara costumam estar divididas em 4 fases.

Bubalus Antiquus é
a primeira delas, em que são representados animais selvagens
(como o extinto búfalo) normalmente
em larga escala e com preocupações
naturalísticas como a riqueza de detalhes. Reflete um estilo
de vida caçador e é seguido pelo
Período Pastoralista, que apresenta menor
preocupação com o naturalismo e com os detalhes.
Esse segundo período é caracterizado por
representações em menor escala e figuras humanas armados com ossos (no
período anterior, quando os homens apareciam, costumavam
estar armados com objetos como pedaços de pau). O
Período do Cavalo é o próximo, em que
os animais domésticos vão ganhando
espaço, a estilização aumenta, o
tamanho das representações diminui e as armas se
incrementam. Cavalos, primeiramente puxados por carroças e
posteriormente guiados diretamente pelos homens também
são freqüentes. O Período do Camelo
é o último, em que esse animal é
bastante mostrado, sendo ainda hoje o animal doméstico mais
utilizado no Saara.
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No
período compreendido entre os anos de 1000 a 1400 d.C., a
arte na África, predominantemente na cultura Ife, passa a
incorporar em si as novas técnicas de
fundição do bronze. Materiais de diversas
naturezas passam a ser utilizados conjuntamente, como por exemplo as
obras entalhadas em madeira e recobertas com latão (tribo
Bakota, no Gabão). |
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As máscaras surgem como novos objetos artísticos,
tratando-se de representações
antropomórficas das forças sobre-humanas ou
divindades que estes povos cultivavam em seu imaginário
religioso. Exemplos disso podem ser vistos nestas figuras mostradas
aqui. |
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| Observou-se também que os artistas
africanos geralmente trabalham como especialistas, recebendo
treinamentos de artistas já estabelecidos da
própria comunidade ou de outras áreas. Em alguns
povos antigos, tais como o povo Benin, já citado, existia
uma espécie de sistema de corporação
organizado que controlava o treinamento dos jovens artistas. Nas
proximidades de Yoruba, uma outra tribo localizada no sudoeste da
Nigéria, importantes escolas de artistas foram desenvolvidas
em centros locais familiares. Freqüentemente a
profissão de artista era vista como algo
hereditário, com o talento sendo passado de
geração em geração. A
criatividade e o sucesso da arte estavam relacionados com um dom
natural que viria, segundo a tradição, de um
ancestral divino. Os lugares de trabalho e os materiais empregados
também eram importantes para o artista durante o processo.
Freqüentemente eles eram controlados por leis
religiosas. |
Arte Africana
Contemporânea
Muitas das chamadas artes tradicionais da
África estão sendo ainda trabalhadas, entalhadas
e usadas dentro de contextos tradicionais. Mas, como em todos os
períodos da arte, importantes
inovações também têm sido
assimiladas, havendo uma coexistência dos estilos e modos de
expressão já estabelecidos com essas
inovações que surgem. Nos últimos
anos, com o desenvolvimento dos transportes e das
comunicações dentro do continente, um grande
número de formas de arte tem sido disseminadas por entre as
diversas culturas africanas.
Além das próprias
influências africanas, algumas mudanças tem sua
origem em outras civilizações. Por exemplo, a
arquitetura e as formas islâmicas podem ser vistas hoje e
algumas regiões da Nigéria, em Mali, Burkina Faso
e Niger. Alguns desenhos e pinturas do leste indiano tem
bastante similaridade em suas formas com as esculturas e
máscaras de artistas dos povos dibibio e Efik que se
estabelecem ao sul da Nigéria. Temas cristãos
também tem sido observados nos trabalhos de artistas
contemporâneos, principalmente em igrejas e catedrais
africanas. Vê-se ainda na África, nos
últimos anos, um desenvolvimento de formas e estruturas
ocidentais modernas, como bancos, estabelecimentos comerciais e sedes
governamentais.
Os turistas também tem sido
responsáveis por uma nova demanda das artes, particularmente
por máscaras decorativas e esculturas africanas feitas de
marfim e ébano. O desenvolvimento das escolas de arte e
arquitetura em cidades africanas, tem incentivado os artistas a
trabalhar com novos meios, tais como cimento, óleo, pedras,
alumínio, com uma utilização de
diferentes cores e desenhos. Ashira Olatunde da Nigéria e
Nicholas Mukomberanwa de Zimbábue estão entre os
maiores patrocinadores desse novo tipo de arte na
África.
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