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Continuação
- Papo-Cabeça
com Helena Freitas
3.
SóCultura
: Quais as suas Leituras e autores preferidos
Helena?
Esta é a
questão mais dura. Eu leio um pouco de tudo, por motivos
pessoais e profissionais: poesia, conto, romance, ensaio, reportagens,
crônicas, artigos de opinião, etc.
Entre os meus escritores
preferidos estão nomes tão diversos como Isabel
Allende, G.G. Márquez, Jorge Amado, João Aguiar
ou Al Berto (estes últimos dois portugueses e o segundo
deles um poeta já falecido), mas leio um sem
número de textos na Internet que creio também
revelarem bons autores.
Entre os meus livros
favoritos (romances, poesia, testemunhos) contam-se: 'A Casa dos
Espíritos' (Isabel Allende), 'O Príncipe das
Marés' (Pat Conroy), 'O Homem sem Nome' (João
Aguiar), 'O Medo' (Al Berto), 'Seda' (Alessandro Baricco), 'O
Principezinho' (Antoine de Saint-Exupéry), 'Os Marginais'
(S.E. Hinton), 'Como Água para Chocolate' (Laura Esquivel),
'Do Amor e Outros Demônios' (Gabriel García
Márquez), 'O Velho e o Mar' (Ernest Hemingway),
'História de Uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar'
(Luís Sepúlveda), 'As Pontes de Madison County'
(Robert James Waller), 'Antologia Poética de Ruy Belo',
'Vendidas!' (Zana Mushen), 'O País do Carnaval' (Jorge
Amado), entre tantos e tantos outros que me parece nunca conseguir
eleger os mesmos.
4.
SóCultura : Possui planos
para o futuro?Pretende exercer outras atividades
?
Helena: Não consigo, nesta etapa da minha vida,
fazer previsões de longo prazo.
Num futuro próximo tenciono
manter-me como jornalista e continuar a escrever
ficção, pois o jornalismo cede um manancial
indispensável de matéria-prima para esta
área.
Além de que gosto da
minha profissão, que me permite uma permanente
ligação com o texto e alimenta o meu conhecimento
do Mundo.
5.
SóCultura: Otimista ou pessimista em
relação ao futuro do Mundo e da Humanidade?
Helena:
Acredito que o Homem pode criar o melhor e o pior para o Mundo em que
habita. Por este motivo, debatem-se em mim sentimentos
antagônicos em relação ao futuro.
Temo pela Terra quando noto a
despreocupação de muitos políticos e
pela Humanidade quando escrevo notícias sobre a clonagem
humana. É difícil fazer previsões
quando as possibilidades são assustadoras e a
evolução dos acontecimentos é veloz e
nem sempre ética.
Por outro lado, uma parte de
mim tem esperança e fé na moral das pessoas.
Acredito que existirá sempre alguém a olhar para
o percurso da História e a apontar os casos em que a falta e
respeito para com a Natureza e o Ser Humano foram fatais à
nossa espécie e a outras.
Essas pessoas vão
agir, unir-se, movimentar-se para impedir a nossa
extinção e o fim do planeta. Talvez o futuro
seja, dentro do seu contexto, como o presente e o passado: a eterna
luta entre os chamados Bem e Mal. Esta é uma forma talvez
redutora de expor o caso, mas entrar em detalhes complexos e equacionar
todas as variantes levaria a uma resposta muito extensa.
Adeus
a Jorge Amado
Por ocasião do falecimento do grande
escritor Jorge Amado, Helena de Sousa Freitas escreveu um poema que foi
escolhido para publicação por diversos
órgãos da imprensa brasileira e selecionado como
única mensagem de despedida oficial do Literário
Online em parceria com a Academia Camocinense de Letras e a Academia
Municipalista de Letras do Estado do Ceará (ALMECE).
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Adeus, Capitão
Nas ruas
os meninos órfãos
erguem em preces
a voz - estão perdidos!
Assim se sentem os marinheiros,
as corajosas e sensuais mulatas,
os místicos nos seus terreiros,
os malfeitores, os bandidos.
E a andorinha e o gato malhado?
O cacau, o Carnaval, a Bahia?
O suor, o soldado apaixonado?
Que milagre lhes ditará sorte?
Oh! Capitão, meu Capitão
que das mornas areias
criaste um reino de poesia
e nos mares leste a morte...
Que farão todos agora
sem o tempero das tuas frases,
sem o suave embalo tropical
das histórias que ao Mundo deste?
Como viver hoje no luto
o gosto das palavras que,
amando,
Amado,
escreveste?
Helena de Sousa Freitas
Portugal, madrugada de 6 para 7 de Agosto de 2001 |
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