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Isso é nome africano, meu neto; pizin quer dizer bom e dim menino.
Você é um bom menino.
Alfredo
da Rocha Viana Filho, ou Pixinguinha, foi autor de dezenas de
valsas, sambas, choros e polcas. Compôs orquestrações para
cinema, teatro e circo, além de arranjos para intérpretes famosos,
entre os quais Carmen Miranda, Francisco Alves e Mário Reis.
Considerado o maior flautista brasileiro de todos os tempos e mestre
do chorinho, Pixinguinha desde pequeno dedicou-se à música.
Aprendeu a tocar cavaquinho com os irmãos Leo e Henrique e aos 11
anos já dominava o instrumento. Seu pai, um excelente flautista,
também foi mais um dos mestres que Pixinguinha teve em seu ambiente
familiar
Esse
ambiente musical que o envolveu durante a infância aparece em um
depoimento feito ao MIS (Museu da Imagem e do Som), no qual ele
afirma: “às vezes a turma de músicos tocava até tarde e eu era
mandado para a cama. Mas não dormia. Ficava prestando atenção e
no dia seguinte procurava tirar em minha flauta de lata os chorinhos
que tinha escutado até de madrugada”. É nessa época que
Pixinguinha compõe sua primeira música, Lata de Leite, na qual
retrata musicalmente a brincadeira de crianças que bebiam o leite
que era deixado no portão da casa dos outros.
Com
14 anos, Pixinguinha tocou no Cine Teatro Rio Branco e começou a
trabalhar na Casa Chope Concha, na Lapa. Depois, sempre levado à
Lapa pelo irmão China ou por algum músico de confiança de seu
pai, o jovem Pixinguinha começou a tocar nos mais famosos cabarés
do Rio como O Ponto, ABC, O Castelo, e daí para O Cine Teatro Rio
Branco, onde entrou na orquestra, com a fama de grande flautista.
Ainda
adolescente, Pixinguinha já possuía um currículo considerável e
acumulava uma vasta experiência como músico de cassino, cabaré,
cine-teatro, casa de chope, diretor de harmonia de ranchos e músico
profissional.
Como
todo grande criador, Pixinguinha enfrentou algumas polêmicas
durante sua longa carreira. A primeira delas foi com Antonio Maria
Passos, Flautista da orquestra do Teatro Rio Branco, que, ao faltar
nos ensaios da orquestra, foi substituído por um garoto de 15 anos
chamado Bexiguinha (Pixinguinha), vindo a perder o emprego, logo em
seguida, para o tal garoto.
A
história de Pixinguinha também conta com conjuntos musicais que
marcaram época, como os Oito Batutas (1919), grupo formado por ele
(flauta), Donga (violão), Nelson Alves (cavaquinho), China (canto,
violão e piano), Raul Palmieri (violão), José Alves (bandolim e
ganzá) e Luis de Oliveira (bandola e reco-reco), tocando um repertório
que incluía maxixes, canções sertanejas, batuques, cateretês e
choros.
Foi
em 1922, ano da Semana
de Arte Moderna, em São Paulo, que os Oito Batutas
ganharam o mundo. Em janeiro de 22, eles foram para Europa como o
primeiro regional brasileiro a sair do país para uma excursão.
Foram para ficar 30 dias e ficaram seis meses. Só voltaram por
saudades do Brasil e para não perder as comemorações do Centenário
da Independência.
O
regresso da Europa, mesmo depois de tanto sucesso, também gerou
algumas polêmicas por aqui, pois Pixinguinha, ao chegar ao Brasil,
decidiu alterar a formação dos Oito Batutas, introduzindo
instrumentação nova e ampliando o número de músicos para dez ou
doze componentes. Isso foi o suficiente para os puristas de plantão
acusá-lo de querer copiar as jazz bands americanas, o que era, no
mínimo, uma demonstração de total desinformação musical, pois
sax e pistão já haviam sido utilizados no choro por Anacleto de
Medeiros, que morreu em 1907.
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