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Sociedade
Que
Direção Seguiremos?
Por
Benedicto
Ismael Camargo Dutra
Já
houve uma época em que os brasileiros ao olharem para a Argentina,
não conseguiam deixar de sentir uma ponta de inveja. Eles, os
argentinos, tinham tudo o que nos faltava. O nível escolar era
muito bom. Os salários incomparavelmente melhores. As cidades eram
limpas e bem cuidadas. As casas tinham boa aparência. Enfim, o
Brasil representava o atraso, enquanto que a Argentina assumia ares
de país europeu. O Brasil não evoluiu muito, mas a Argentina
entrou em retrocesso e justamente agora nos dizem que nos
encaminhamos para ser outra Argentina, endividada, sem moeda confiável,
enfrentando muita miséria e desemprego. Um país sem grandes
esperanças de um melhor futuro.
Assim
estamos nós. O aumento da violência urbana tem muito a ver com a
queda da esperança. À medida em que o ser humano se vai
embrutecendo, sua vida também se vai tornando mecânica, sem alma.
Por fim esse mal vai contagiando tudo e em todos os setores da vida
humana começam a surgir os sintomas de uma vida pior do que deveria
ser, rebaixada pela ausência de aspirações mais elevadas, próprias
de um ser humano consciente em busca da sua evolução pessoal. O
futuro se afigura sombrio, não há muito o que esperar. Vidas
vazias sem aspirações mais elevadas, sem esperança de um futuro
melhor. Surgem os distúrbios urbanos, os conflitos armados, ao
final surgem as guerras e revoluções com todo o seu desespero.
Estamos
no meio. No topo, inalcançavel os Estados Unidos. Abaixo: Colômbia,
Venezuela e a caótica Argentina. Que direção seguirão os futuros
dirigentes, do Brasil e dos demais países? Quem ensinará a eles o
real sentido da vida, se é que desejam compreende-lo?
A
população em geral padece da falta de esperanças positivas. Os
jovens mais ainda. Nos anos dourados havia uma expectativa de
melhora. A crise da dívida, a deterioração geral das cidades, da
educação, da saúde, da segurança pública, e inúmeros casos de
desvios de verba criaram o cenário do desânimo.
A
Argentina implodiu a sua economia com o artificialismo da paridade
cambial. No Brasil o aumento da dívida assumiu o lugar da inflação.
O montante das exportações é insuficiente para o serviço da dívida.
Estamos produzindo pouca riqueza e estamos com muitos trabalhadores
sem ter o que fazer. O centro velho de São Paulo revela a decadência,
com centenas de desocupados vagando pelas ruas.
Um
melhor futuro está intimamente ligado à educação que se
transmite às novas gerações. Este tem sido o grande problema do
Brasil. Muitos pais já não têm aquela cultura dos avós. A escola
deixa muito a desejar, então a educação desanda, isto é,
retrocede. Nos países desenvolvidos ela é bem melhor, mesmo assim
falta alguma coisa que fortaleça a qualidade própria de seres
humanos que somos. Muita tecnologia e eruditismo, mas pouco de conteúdo
humano. Estamos produzindo um mundo inóspito ao provocar a ruptura
dos mecanismos naturais de preservação da vida.
Na
medida em que os seres humanos assumem a responsabilidade pela sua
evolução pessoal, buscando-a com tenacidade é que se poderá
esperar por um melhor futuro. Fora disso a piora será continua e
horripilante como lamentavelmente, já se pode notar em inúmeras
situações. Não adianta ficar esperando que o governo ou a religião
possam mudar isso. Enquanto os indivíduos não se conscientizarem
da necessidade de colocarem o seu foco e o seu querer na busca do
auto-aprimoramento, dificilmente o Planeta alcançará melhoras.
Contudo dirigentes e religiões poderiam ter contribuído de forma
positiva, se não tivessem se dedicado com tanta tenacidade na
conquista do poder de impor a sua vontade e os seus desejos. Sua
vocação tem sido conquistar, dominar e controlar.
O
pendor pelo poder é uma das mais fortes emoções que agrilhoam os
seres humanos, pois é através do poder que surge a capacidade de
impor a própria vontade sobre outros, mantendo-os cativos, advindo
daí as constantes lutas veladas ou abertas pela conquista do poder
terreno colocado como alvo prioritário dos dirigentes, enquanto o
povo confiante é desviado das diretrizes que promovem a evolução
espiritual.
Ao
deixarem de cuidar seriamente de sua evolução, os seres humanos se
vão entregando a práticas que denotam o baixo nível em que se
encontram. No antigo Império Romano os povos escravizados eram
postos na arena para lutar contra leões famintos ou gladiadores
profissionais, e a massa se comprazia com o sangue derramado. Não
diferente foram os cruéis espetáculos promovidos pela Inquisição
que ateava fogo em suas vitimas em praça publica. Atualmente temos
lutas sangrentas em estádios lotados, touradas e rodeios. Por vezes
os animais levam a melhor e se vingam da crueldade humana
transformada em entretenimento.
Um
ser humano comprometido com a evolução espiritual, não é aquele
que sai por aí distribuindo todos os seus bens aos miseráveis. Ao
contrário, ele não tem receio de ser rico, contudo agirá sempre
de tal forma a não causar danos aos seus semelhantes, nem ao seu
ambiente visível e invisível através de suas ações e
pensamentos, pois assim como ele, todos tem o direito a uma vida
condigna para evoluir.
“Mas
a inobservância de tais leis de evolução vingar-se-á amargamente
nos povos, pois também isso traz, por fim, retrocesso e ruína,
jamais ascensão, porque falta nisso toda salubridade. O ser humano
não pode opor-se às coisas, às quais ele, como cada criatura, está
sujeito, de forma que jamais conseguirá algo onde não leve em
conta as leis vivas entretecidas nesta Criação. Onde atuar contra
elas, não as observando, mais cedo ou mais tarde terá de
naufragar. Quanto mais tarde tanto pior. Nisso cada dirigente terá
de arcar com a responsabilidade principal daquilo que errou em
virtude de sua concepção errada. Terá de sofrer então pelo povo
inteiro, que em sua aflição se agarra espiritualmente a ele, de
modo firme!” (Mensagem
do Graal, de Abdruschin, Vol. 3, pg. 120)
BENEDICTO ISMAEL CAMARGO DUTRA
Formado em Administração de Empresas FEA/USP