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Sociedade
A
Missão dos Governantes
Por
Benedicto
Ismael Camargo Dutra
As grandes
avenidas que atravessam a cidade de São Paulo margeando os rios
Tietê e Pinheiros são de vital importância para o funcionamento
da cidade. Contam-se aos milhares os veículos que se servem delas,
automóveis, ônibus, caminhões e motocicletas.
Eu fico
imaginando que beleza seria se os rios não fossem emissários de
esgoto "in natura" e, em suas águas límpidas, peixes e
aves convivessem em contato com uma arborização consistente,
verdejante. Seria lindo!
Nos dias de
temperatura elevada e inversão térmica o excesso de fumaça lançado
por motores desregulados aumenta o suplício dos motoristas e todos
que são obrigados a trafegar pelas marginais em momentos de
congestionamentos, momentos que se arrastam por horas desde muito
cedo.
Os
motoqueiros insensíveis ao perigo, angustiados pela pressa e poluição
criam um clima áspero, brutal, pois são as suas vidas que estão
em jogo em suas arriscadas e impacientes manobras.
Enfim, é
tudo muito assustador e ficamos pensando que tipo de vida é essa
que produziu situações tão desconfortáveis e antinaturais às
quais todos se vão acostumando, como se normal o fosse, acabando
por não mais saber o que fazer com a própria vida.
Os seres
humanos agem curiosamente. Criam Universidades e Institutos de
estudos mas fazem isso como se fossem mundos isolados. Das
Universidades extraem-se principalmente apenas aquilo que possa dar
dinheiro, mas os estudos e ensinamentos que poderiam auxiliar e
melhorar a qualidade de vida ficam lá, nos arquivos de teorias que
não são transferidas para o cotidiano da vida das cidades e dos países.
Assim surgiram as cidades caóticas que evoluem para uma dramática
situação sem ordem, sem disciplina, em continuada deterioração.
As
autoridades constituídas não podem continuar desprezando a
contribuição que as Universidades podem e devem dar para que a
qualidade de vida possa ser continuamente analisada e aprimorada.
Numa época
em que tanto se fala de programas de qualidade total voltados para a
redução de custos e aumento de lucros, os governantes deveriam
estabelecer como finalidade primordial de sua gestão a Qualidade
Total de Vida, pois se isso não for a sua missão precípua, para
que então estão lá no poder? Para administrar o pagamento de dívidas
irresponsavelmente contraídas?
Uma reforma
na qualidade do serviço público deve necessariamente passar pelo
conceito de governo, começando de cima para baixo, espalhando-se em
todas as direções. Fora disso, qualquer tentativa de introduzir
reformas e conceitos de qualidade total em setores isolados,
redundará em esforços inúteis, pois a implantação de uma política
de qualidade total deverá começar do mais essencial que é a
qualidade da própria vida, como finalidade principal dos
governantes. Contudo o conceito de qualidade da vida requer ampla
compreensão, pois o ser humano como criatura deverá reconhecer o
sentido espiritual de sua existência. Por aí começando não
tardará em se constatar a espontânea adesão de toda a população,
pois o real progresso se tornará visível a todos.
Ismael Dutra é
formado em Administração de Empresas FEA/USP e é colaborador do
Jornal DCI-SP