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A
edição No. 50 da Revista Você S.A. trás duas matérias sobre a
questão da qualidade de vida dos profissionais da atualidade.
Inicialmente temos uma entrevista com o filósofo italiano
Domenico de Masi cuja opinião é de que a felicidade e a
auto-realização não estão vinculadas apenas ao trabalho. De
Masi, autor da teoria do “ócio criativo” esclarece que o uso
correto e criativo do tempo fora do trabalho também levam os
homens a obter vivências importantes e necessárias para o seu
pleno desenvolvimento.
O
professor Luiz Cabrera, da Fundação Getúlio Vargas, tenta nos
demonstrar, na segunda matéria da revista, que não podemos
pensar na questão sem nos referir a nossa atitude dentro do
próprio trabalho. O professor esclarece que consumimos a maior
parte de nosso tempo e energia em nossas atividades
profissionais e por isso a melhoria da qualidade de vida deve
começar com a “melhoria da qualidade de vida no trabalho”.
É
interessante observarmos que o tema tem sido objeto de muitos
trabalhos e discussões nos últimos anos.
Algumas pesquisas
mostram
que os profissionais estão, cada vez mais, sendo atingidos por
doenças relacionadas ao famoso stress em decorrência do excesso
de pressão, em suas múltiplas formas, no ambiente de trabalho.
Essas doenças que eram características de pessoas “de mais
idade” agora recaem também sobre os mais jovens, em qualquer
idade. Ou seja, ninguém está livre desses males pertencentes ao
chamado mundo moderno com a sua “correria” que lhe é peculiar.
Mas,
afinal, o que nós, profissionais, estudantes, empresários,
podemos fazer para resolver esses problemas?
É
uma questão complicada. A maioria do mundo empresarial não quer
reconhecer, mas estudos indicam que se continuarmos nesse ritmo
teremos em um futuro próximo um planeta com pessoas totalmente
desestruturadas, o que conseqüentemente levaria a sociedade a um
grande desequilíbrio em todos os seus setores. O que não seria
bom para ninguém, principalmente para as organizações
empresariais.
Alguns empreendedores já pensaram nesses problemas que poderão
surgir no futuro e dessa maneira têm feito mudanças em suas
organizações com a criação de mecanismos que melhoram a
qualidade de vida dos seus colaboradores. Podemos ressaltar,
como exemplos, a maior integração da família na empresa, a
flexibilização de horários e o incentivo a atividades culturais
e esportivas.
Muito
provavelmente essas iniciativas e os seus resultados deverão
levar todas as pessoas ao reconhecimento de que soluções
precisam ser pensadas e colocadas em prática para construirmos
uma sociedade mais equilibrada e sadia para o futuro.
A nós,
profissionais, cabe-nos aplaudir as iniciativas desses
administradores “de visão” e realmente começarmos a pensar
seriamente na qualidade de vida dentro e fora do trabalho, o que
é fundamental não só para as pessoas individualmente mas também
para a saúde e o sucesso de nossas empresas e organizações.
* José
Guilherme Said Pierre Carneiro é formado em Administração de
empresas pela Universidade Federal do Ceará, criador e
coordenador da Revista SóCultura.
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