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Como um Consultor trabalha                 
Por Maurício Calixto*
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Consultor dá ótimas idéias! Que empresa nunca recorreu do serviço deste profissional tão especial? Eu mesmo trabalhei numa empresa na qual o consultor contratado, além de filho do diretor, fez inúmeros cursos para nos ajudar, cursos estes, é claro, bancados pela empresa. No final, R$ 500.000,00 jogados fora. Mas o problema não é apenas o desperdício de recursos...

O problema maior aparece na hora de executar as idéias brilhantemente arquitetadas por tal profissional. O gerente da área vai sempre falar que não dá. O consultar irá sempre, de maneira rebuscada e convincente, dizer ao diretor que dá pra fazer, sim.
O dilema aparece porque quem fala para fazer não é efetivamente quem faz.
Geralmente, acontece o seguinte. O diretor chama o gerente e fala que está pensando em contratar uma consultoria externa, pois o tal gerente está muito atarefado com a rotina e o corre-corre do dia-a-dia e não tem tempo para pensar em melhoria de processos etc.
Verdade ou não, este discurso quer dizer que o diretor não anda contente com a performance do setor cujo gerente, nervosamente, ouve as colocações do seu superior.

No dia seguinte, repare o imenso espaço de tempo entre um evento e outro, chega o tal consultor. Terno da moda, gravata impecável, perfume exalando por todos os lados da empresa. Ah, sapato bico quadrado, é lógico! O diretor apresenta o consultor ao gerente. O gerente procura ser amistoso, não deixando transparecer o punho cerrado na mão esquerda. Os dentes raspando de raiva dão lugar a um sorriso pálido, amarelo. Surge um "Como vai?" no ar. O diretor se retira, desejando bom trabalho a ambos quando, na verdade, deveria desejar boa sorte.
Por que sorte? Porque neste clima é impossível a qualquer profissional executar um trabalho que tenha um desempenho adequado. O consultor vai sempre buscar algo a ser aperfeiçoado. O gerente vai sempre querer esconder o ouro do bandido.

Então, não existe solução?

É claro que existe! O diretor hábil, executando suas funções de liderança, poderá chamar o gerente para uma sessão de mentoring, ou seja lá qual termo quiser utilizar, e juntos, conduzindo a conversa, fazer com que o próprio gerente perceba a necessidade de um aprofundamento em determinadas questões. Que tal, então, contratarmos alguém temporário - essa palavra é chave para espantar os fantasmas e vampiros que se escondem por atrás da empáfia de um consultor - com notória expertise neste assunto, assim você não irá ficar muito sobrecarregado, já que anda bem atarefado? A massagem no ego e a técnica de coaching só funcionam se forem franca e aberta, senão, soa com tamanha falsidade que o efeito será devastador. A seleção do profissional deve ser partilhada entre o gerente e o diretor. Chegando a um consenso, as questões financeiras devem ser ponderadas. Por isso, uma segunda alternativa deve sempre estar nas mangas.
Pronto, então, estamos aptos a iniciar o trabalho?
Não. Chame o consultor para uma entrevista com o gerente. Deixe os dois confabularem a respeito dos desafios que mutuamente enfrentarão. Depois converse com o gerente e com o consultor isoladamente para ter um feedback de cada um. É importante anotar as primeiras impressões de ambos para uma checagem futura.
Por último, chame o gerente e dê a ele autoridade sobre esta mão de obra temporária, o consultor engravatado. Junto com a autoridade delegada deve seguir a relação dos resultados esperados do trabalho do consultor e, logicamente, os prazos acordados.

RESULTADO FINAL

O final do processo deve refletir as habilidades profissionais do gerente, consultor e diretor. Uma reunião entre os três deve avaliar as possibilidades de melhorias, se não de comum acordo entre os três, mas ao menos com a anuência do grupo. A clareza de todo o processo fará com que este acordo aconteça mais naturalmente do que possa parecer.
Propostas de melhoria devem vir acompanhadas de responsáveis, técnicos envolvidos, prazos, riscos inerentes e custos. Para cada tarefa deve haver um responsável técnico e um supervisor. Em tarefas menores, a mesma pessoa pode executar ambos os papéis.
Quem dá a resposta final na conclusão das tarefas é o gerente, porém, o consultor acompanha e avalia em reuniões periódicas pré-determinadas a evolução do quadro e as dificuldades enfrentadas, afinal de contas, o conhecimento proporcionado por esta força de trabalho traz oxigenação e agiliza as mudanças vitais para o ambiente corporativo competitivo e veloz que vivenciamos hoje em dia.


*
Maurício Calixto é mestre em Qualidade, especialista em Capacitação Gerencial, gerente de Informática Administrativa da Unicamp, assessor de coordenadoria geral e consultor.
E-mail: mc@tht.com.br

 

 

 

                         

 

 

 

 

       

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