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Consultor
dá ótimas idéias! Que empresa nunca recorreu do serviço
deste profissional tão especial? Eu mesmo trabalhei numa
empresa na qual o consultor contratado, além de filho do
diretor, fez inúmeros cursos para nos ajudar, cursos estes,
é claro, bancados pela empresa. No final, R$ 500.000,00
jogados fora. Mas o problema não é apenas o desperdício de
recursos...
O problema maior aparece na hora de executar as idéias
brilhantemente arquitetadas por tal profissional. O gerente da
área vai sempre falar que não dá. O consultar irá sempre,
de maneira rebuscada e convincente, dizer ao diretor que dá
pra fazer, sim.
O dilema aparece porque quem fala para fazer não é
efetivamente quem faz.
Geralmente, acontece o seguinte. O diretor chama o gerente e
fala que está pensando em contratar uma consultoria externa,
pois o tal gerente está muito atarefado com a rotina e o
corre-corre do dia-a-dia e não tem tempo para pensar em
melhoria de processos etc.
Verdade ou não, este discurso quer dizer que o diretor não
anda contente com a performance do setor cujo gerente,
nervosamente, ouve as colocações do seu superior.
No dia seguinte, repare o imenso espaço de tempo entre um
evento e outro, chega o tal consultor. Terno da moda, gravata
impecável, perfume exalando por todos os lados da empresa.
Ah, sapato bico quadrado, é lógico! O diretor apresenta o
consultor ao gerente. O gerente procura ser amistoso, não
deixando transparecer o punho cerrado na mão esquerda. Os
dentes raspando de raiva dão lugar a um sorriso pálido,
amarelo. Surge um "Como vai?" no ar. O diretor se
retira, desejando bom trabalho a ambos quando, na verdade,
deveria desejar boa sorte.
Por que sorte? Porque neste clima é impossível a qualquer
profissional executar um trabalho que tenha um desempenho
adequado. O consultor vai sempre buscar algo a ser aperfeiçoado.
O gerente vai sempre querer esconder o ouro do bandido.
Então, não existe solução?
É claro que existe! O diretor hábil, executando suas funções
de liderança, poderá chamar o gerente para uma sessão de mentoring,
ou seja lá qual termo quiser utilizar, e juntos, conduzindo a
conversa, fazer com que o próprio gerente perceba a
necessidade de um aprofundamento em determinadas questões.
Que tal, então, contratarmos alguém temporário - essa
palavra é chave para espantar os fantasmas e vampiros que se
escondem por atrás da empáfia de um consultor - com notória
expertise neste assunto, assim você não irá ficar muito
sobrecarregado, já que anda bem atarefado? A massagem no ego
e a técnica de coaching só funcionam se forem franca
e aberta, senão, soa com tamanha falsidade que o efeito será
devastador. A seleção do profissional deve ser partilhada
entre o gerente e o diretor. Chegando a um consenso, as questões
financeiras devem ser ponderadas. Por isso, uma segunda
alternativa deve sempre estar nas mangas.
Pronto, então, estamos aptos a iniciar o trabalho?
Não. Chame o consultor para uma entrevista com o gerente.
Deixe os dois confabularem a respeito dos desafios que
mutuamente enfrentarão. Depois converse com o gerente e com o
consultor isoladamente para ter um feedback de cada um. É
importante anotar as primeiras impressões de ambos para uma
checagem futura.
Por último, chame o gerente e dê a ele autoridade sobre esta
mão de obra temporária, o consultor engravatado. Junto com a
autoridade delegada deve seguir a relação dos resultados
esperados do trabalho do consultor e, logicamente, os prazos
acordados.
RESULTADO FINAL
O final do processo deve refletir as habilidades profissionais
do gerente, consultor e diretor. Uma reunião entre os três
deve avaliar as possibilidades de melhorias, se não de comum
acordo entre os três, mas ao menos com a anuência do grupo.
A clareza de todo o processo fará com que este acordo aconteça
mais naturalmente do que possa parecer.
Propostas de melhoria devem vir acompanhadas de responsáveis,
técnicos envolvidos, prazos, riscos inerentes e custos. Para
cada tarefa deve haver um responsável técnico e um
supervisor. Em tarefas menores, a mesma pessoa pode executar
ambos os papéis.
Quem dá a resposta final na conclusão das tarefas é o
gerente, porém, o consultor acompanha e avalia em reuniões
periódicas pré-determinadas a evolução do quadro e as
dificuldades enfrentadas, afinal de contas, o conhecimento
proporcionado por esta força de trabalho traz oxigenação e
agiliza as mudanças vitais para o ambiente corporativo
competitivo e veloz que vivenciamos hoje em dia.
* Maurício Calixto é
mestre em Qualidade, especialista em Capacitação Gerencial,
gerente de Informática Administrativa da Unicamp, assessor de
coordenadoria geral e consultor.
E-mail: mc@tht.com.br |