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Para ser líder, não basta ser um bom técnico            
Por Mauricio Calixto*
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Ainda me lembro da emoção que senti quando aos 12 anos ouvi pela primeira vez a música do grupo de rock progressista inglês Supertramp, intitulada Fools' Overture. Era uma fita barata, dessas que a gente comprava no antigo Jumbo-Eletro. Dourada com inscrições em preto, foi-me passada às mãos por meu então futuro cunhado, um sujeito sisudo, grande e de poucas palavras.
Duas coisas causaram-me espanto e admiração: a primeira é que aquele som harmonioso e envolvente era radicalmente diferente das baladas de Johnny Matthis e da trilha sonora de Estúpido Cupido. A segunda coisa foi que aquele sujeito enorme e com cara de mau, que ansiosamente desejava conhecer minha irmã, nunca tinha parecido ser detentor de tamanha sensibilidade musical ou artística. Ora, eu só sabia que ele era bem maior do que eu, queria roubar minha irmã e não fazia muita força para me agradar. Sob a minha ótica, ele era um intruso, desejando acabar com a harmonia reinante. Como é que eu iria gostar dele, afinal? Porém ele, não era tão rude e nem mal-humorado como pensei, e sabedor das dificuldades, traçou sabiamente sua estratégia de aproximação junto aos três irmãos da moça.
Esta atitude pouco receptiva, antipática e altamente excludente que tive em relação ao meu cunhado é o que geralmente ocorre nas empresas quando chega um novo gerente, ou uma nova liderança, escolhido não de dentro dos quadros da própria instituição mas recrutado junto ao mercado.

:: EXISTE UMA VAGA PARA GERENTE. QUEM SE CANDIDATA? 

Aqueles dentro da empresa que pleiteavam o cargo vago sentem-se desprestigiados, desvalorizados, desmotivados e todos os outros "dês" que aparecerem no dicionário. Naturalmente existe a frustração dos pretendentes, pois não estamos falando apenas de uma desilusão de pensamento ou de divagações. Estamos falando de todos os planos e objetivos já estabelecidos nas mentes daqueles candidatos a gerente. São sonhos, é verdade, mas que iriam se materializar com a promoção, em forma de recursos e projetos de vida para o candidato e sua família. Assim, aquele apartamento maior terá que ficar para depois, o carro novo nem pensar, e a segunda lua de mel no Caribe... esqueça.
Analisando estes fatos tão reais, fica fácil de entender por que uma coisa apenas hipotética pode causar tanto estrago nas relações institucionais.

:: NÃO POSSO SONHAR? ::

Deve. Sonhar faz parte de uma vida profissional sadia. Quando o diretor resolve chamar alguém do mercado para compor a equipe ele está buscando alguém que traga novos conhecimentos para a equipe, que some em vez de subtrair. Promover um ótimo técnico que não tem características de gerente é subtrair. Perde-se um excelente técnico, desfalcando-se a equipe, e ganha-se um gerente medíocre. Lembre-se, bons lideres são forjados, não nascem prontos. Gerenciar não é uma habilidade nata, com a qual nascemos. Se você deseja assegurar sua evolução profissional e galgar posição para as vagas abertas que exigem maior responsabilidade e nível hierárquico, você deve procurar junto ao seu gerente ou diretor um aconselhamento profissional, um direcionamento que nivele as necessidades da instituição com os seus objetivos pessoais. Este processo, chamado de mentoring, prepara o candidato desenvolvendo suas habilidades técnicas e gerenciais. O gerente direciona os cursos e treinamentos de aperfeiçoamento que o candidato a líder deve fazer para habilitá-lo a concorrer às vagas futuras em plena condição e com todas as habilidades desenvolvidas.

:: ESTOU HÁ ANOS NA EMPRESA. TENHO CHANCES? ::

Enquanto o coaching é um estilo gerencial em que o líder tem as funções de um treinador esportivo em relação a todos os membros da equipe, o mentoring, ou aconselhamento, deve ser reservado para as pessoas de maior talento dentro da equipe. O funcionário com alto potencial –chamado de mentee - deve buscar o aconselhamento junto a um mentor que considere apto a direcionar os esforços para seu progresso e sua carreira dentro da empresa, sendo seu conselheiro e parceiro e não necessariamente o seu gerente direto.
Seja qual for o nome do processo de desenvolvimento de potenciais, coaching, mentoring ou outro qualquer, a verdade é que sem ele o candidato não estará apto às funções gerenciais e, por sua vez, as empresas perderão um trunfo importante, que é o conhecimento técnico aliado à habilidade gerencial no mesmo profissional.

Qualquer bom técnico pode se transformar em um bom gerente, mas para agarrar as oportunidades institucionais você deve se preparar, antes de começar a gastar por conta da promoção.



* Maurício Calixto é mestre em Qualidade, especialista em Capacitação Gerencial, gerente de Informática Administrativa da Unicamp, assessor de coordenadoria geral e consultor.
E-mail: mc@tht.com.br


 

 

 

                         

 

 

 

 

       

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