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Nestes
duros tempos onde predomina a incerteza e a angústia de
transformações aceleradas, cabe a cada um de nós administrar
da maneira mais proativa e criativa possível sua própria vida
e também de seus filhos pequenos para que possamos conseguir
uma aterrissagem suave na Era da Sociedade do Conhecimento.
Não será fácil. Provavelmente a maioria da humanidade deverá
experimentar uma aterrissagem de barriga. Políticos,
administradores, comunidades, líderes e as pessoas comuns, em
sua maioria, não conseguem descortinar claramente os riscos e
desafios que estão à nossa frente, bem no nosso nariz. O
remédio? Programar-se para mudar permanentemente!
Quais são as sete premissas básicas que devemos admitir para que
ter mais chances de conseguir realizar um pouso mais suave no
século 21?
1.
A Era da Sociedade do Conhecimento já começou e temos que, desde
ontem, usar o hardware (equipamentos e ferramentas) e software
(métodos e estilos de vida) compatíveis com essa nova era. A
desestruturação e reestruturação do seu mundo individual deve
ser tarefa sua. Não deixe que ela comece de fora para dentro.
2.
Assuma que os
indivíduos querem e irão trabalhar no sentido de ter maior
controle individual sobre seu próprio destino. Quem esperar
sentado que políticos, governos e empresas resolvam seus
problemas, terá mais problemas. Exemplo: a aposentadoria como a
conhecemos é um conceito do século 20. Teremos que poupar e nos
manter ativos e produtivos até morrer. Isso é o que deve pensar
um jovem desde cedo. Afinal a aposentadoria era uma instituição
criada ao final do século 19 para proteger trabalhadores que
chegavam aos quarenta anos estourados pelo labor exclusivamente
físico.
3.
O emprego também é um
conceito do Século 20. Cada vez serão mais escassos empregos com
carteira assinada. Os direitos trabalhistas serão aos poucos
revistos e contextualizados na realidade da Economia do
Conhecimento. Prepare-se para ser mais do que free-lancer.
Prepare-se para ser um E-lancer trabalhando em rede com seus
contatos. Assim como a escravidão foi abolida ao longo do século
19, o emprego também o será no século 21.
4.
Educação é capacitação
para vida produtiva e para o progresso humano. Há muito que já
não temos sistema de educação. O que temos hoje é meramente uma
escolaridade ultrapassada oferecida pelas escolas e
universidades exclusivamente para indivíduos jovens. A educação
será - aliás já é! - uma necessidade permanente para os
indivíduos da era da Sociedade de Conhecimento. Está nascendo a
indústria da Educação Contínua. Prepare-se para ser um cliente
desses serviços ao longo de toda sua vida, da mesma forma que
somos clientes de serviços de saúde.
5.
Prepare-se
permanentemente para fazer mais com menos. Nunca se acomode.
Mantenha um produtivo nível de inquietação e stress, da mesma
maneira que os artistas convivem com isso. Criação e stress
sempre andaram juntos. Tenha sempre prontos Plano B e C. Pelo
menos!
6.
Não se deixe
apassivar. Troque todas as coisas que entorpecem seus neurônios
por outras que os estimulam de maneira produtiva. Você vai ver
como desligando a TV, frente a qual o indivíduo de sua família
deixa entre três a seis horas por dia, dá um tremendo retorno
intelectual, profissional, social e afetivo. (Cada criança passa
em torno de 92 dias por ano na frente da telinha). Se você anda
fazendo economia doméstica troque a TV a cabo pela Banda Larga e
comece a navegar com seu filho. Ajude-o a surfar com segurança e
criativamente na Internet, como você o ajuda a andar na rua com
segurança.
7.
Tente recuperar sua
curiosidade infantil, aquela que o sistema escolar sufocou
quando fez você passar a achar que fazer provas era mais
importante que aprender. Leia e aprenda coisas diversas. Não se
tranque na ostra dos especialistas. Estes são obsoletados e
portanto descartados mais rapidamente. Lembre-se que usamos
somente uma fração de nossa capacidade cerebral. Você tem muito,
mas muito hardware ocioso dentro de você. Nossos neurônios dão
conta de muito mais do que nós fazemos.
Não se iluda, as coisas vão exigir que sejamos pioneiros na
fronteira dos novos tempos. E pioneiros só conseguem ser bem
sucedidos quando lutam como heróis, com afinco e com
criatividade. Não há tempo para lamúrias. Heróis não se
lamentam.
* Ricardo Neves é consultor,
graduado em Engenharia Eletrônica pela PUC Rio, Mestre em
Ciências (M.Sc.) em Engenharia de Produção pela Coppe/UFRJ e
autor do Livro "Copo pela Metade" - Campus Editora.
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