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Os
desafios contemporâneos são cada vez mais complexos. As
organizações passam por profundas reestruturações internas
e mudanças no seu posicionamento externo. O aumento da
competição tem derrubado as margens de ganho das empresas no
mundo todo. Algumas, até por desorganização interna, nem
sequer possuem a real noção de seus prejuízos. Vivemos
tempos em que a gestão de custos deixou de ser básica para
ser estratégica.
As empresas, na sua maioria, desenvolveram processos de
racionalização que têm gerado uma redução do número de
pessoas, mas sem a redução do volume de trabalho. Em outras
palavras, somos menos, trabalhamos mais e ganhando, na melhor
das hipóteses, a mesma coisa. Aqueles que vão saindo não vão
sendo substituídos, gerando uma sobrecarga de trabalho,
aumentando o estresse e diminuindo a qualidade de vida. Três
passam a fazer o trabalho que cinco faziam.
Nesse contexto, uma das questões fundamentais que se coloca
nos ambientes corporativos é como trabalhar em equipe. No
passado, esta questão era tratada como básica para a
melhoria do clima organizacional. Hoje, trata-se da sobrevivência
da empresa, passa a ser uma das alternativas para que um grupo
faça ‘‘o mesmo com menos’’.
Existem, no entanto, obstáculos para a construção de um
ambiente favorável ao trabalho em equipe. Vejamos alguns
destes:
1) A cultura do individualismo que prepara cada um para
o sucesso solitário e não para o sucesso solidário. Somos
educados para ‘‘vencer’’ na vida, o que já pressupõe
uma luta. A cultura da competição nos afasta da paz
fundamental, que é a paz interior, e passamos a viver sempre
sob tensão.
2) A cultura da cumplicidade que propicia o surgimento
de subgrupos (panelinhas) que geram o acobertamento, a troca
de favores e destroem as relações interpessoais através da
inveja e da maledicência. Na cultura da cumplicidade, o nível
de consciência é mais baixo que o necessário para a construção
de uma equipe que valorize a diversidade e a
complementaridade.
3) A falta de uma visão de futuro. Quando um grupo não
sabe para onde ir e porque ir, desenvolve o medo que dificulta
o nascimento da iniciativa e da criatividade. Todo grupo,
assim com toda pessoa, precisa encontrar um sentido para a sua
existência. Os grupos não podem se restringir apenas a busca
do sucesso econômico. Ter consciência dos nossos papéis na
sociedade e como seres humanos colabora para o desenvolvimento
de projetos coletivos dentro das organizações.
4) A cultura autoritária que subestima a necessidade
da compreensão para a geração do comprometimento.
Infelizmente, ainda florescem premissas como ‘‘uns pensam
e outros fazem’’ e ‘‘manda quem pode, obedece quem tem
juízo’’. Um grupo que não participa não se compromete
e, conseqüentemente, não consegue trabalhar sinergicamente.
Na cultura autoritária, as pessoas são artistas coadjuvantes
do nosso filme. Construímos ‘‘euquipes’’ e não
equipes e, muitas vezes, desenvolve-se um discurso democrático
que não corresponde à realidade.
Nosso grande desafio é construirmos uma cultura de parceria,
base para o desenvolvimento de equipes de alto desempenho.
Isto requer a desaprendizagem de conceitos e crenças que
reforçam o individualismo e a manipulação ainda presentes
em partes dos processos de formação de executivos.
* Roberto Matoso é Consultor e
Presidente do Grupo Prática Empresarial - Site : www.praticanet.com.br
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